sábado, 15 de julho de 2017

segunda-feira, 3 de julho de 2017

A primeira edição do Iberian Porsche Meeting decorre em Évora de 8 e 9 de julho


O maior encontro de desportivos Porsche da Península Ibérica encontra-se praticamente lotado. Clientes e aficionados da icónica marca alemã não faltaram a esta inédita chamada e aderiram em peso ao grande evento que terá lugar em Cascais, Évora e Portimão, no fim de semana de 8 e 9 de julho.

Por preencher resta um número de vagas muito reduzido inserido no 'Pack Sport', o nível de participação mais acessível — um facto que deixa a organização do Iberian Porsche Meeting "muitíssimo satisfeita", avança Pedro Marreiros: "Contávamos atingir o nosso objetivo até meio do mês de junho e a verdade é que fomos surpreendidos com a adesão maciça dos nossos clientes, que não quiseram perder a possibilidade de participarem num programa de atividades extremamente dinâmico. No final de abril já tínhamos esgotado o 'Pack Sport Plus' e contamos neste momento com pouquíssimas inscrições para o 'Pack Sport', que contempla o desfile na Marina de Cascais e o desfile pela vila", revela o CEO da Prime Promotion, a empresa encarregue de organizar o certame.

Dentro do leque de viaturas já confirmadas estão "quatro Porsche 911 GT3 RS, alguns clássicos de eleição que irão dar um colorido muito especial ao Iberian Porsche Meeting e um rol de surpresas que não queremos, para já, desvendar", salienta o mesmo responsável, que aproveita igualmente para destacar o "enorme entusiasmo dos aficionados e clientes que residem na vizinha Espanha", tendo também eles confirmado a sua presença neste histórico encontro de desportivos Porsche.

Acima das melhores expetativas, "a verdade é que o objetivo delineado para esta fase foi largamente cumprido", reforça Pedro Marreiros, não escondendo que "a confirmação da presença de Mark Webber no Iberian Porsche Meeting fez com que muitos proprietários quisessem garantir imediatamente o seu lugar".

A realizar alternadamente em Portugal e Espanha, o Iberian Porsche Meeting é um evento anual que tem como objetivo reunir num mesmo espaço o maior leque de desportivos Porsche da Península Ibérica. Dirigido a proprietários, potenciais clientes e aficionados da marca, a primeira edição tem lugar no fim de semana de 8 e 9 de julho, e conta com a presença do antigo piloto de Fórmula 1 e campeão do WEC, Mark Webber. Reúne o apoio das Câmaras Municipais de Cascais, Évora e Portimão, e integra um conjunto de atividades desportivas.


domingo, 2 de julho de 2017

Colégio de S.Manços ou das Donzelas


Instituído no ano de 1592, pelo arcebispo D. Teotónio de Bragança, a sua regulamentação foi compilada em 27 de Setembro de 1625 pelo prelado D. José de Melo, que lhe fundou igreja e procedeu à definitiva instalação no paço velho dos Sepúlvedas, situado defronte do Convento do Calvário. A casa fora construída nos primeiros anos do séc. XVI pelo fidalgo castelhano Diogo de Sepúlveda, proscrito em Portugal por favorecer a causa de D. Joana, a Excelente Senhora e D. Afonso V, e que, matrimoniado com uma filha de Rui de Sousa teve a Manuel de Sousa de Sepúlveda, figura central da epopeia do naufrágio do galeão S. João, nas costas do Cabo da Boa Esperança, em 1552, num dos mais dramáticos episódios da História Trágico-Marítima. D. Maria de Távora viveu no paço nos meados deste século e nele teve bom oratório com capela-mor de abóbada revestida de pinturas a fresco, douradas; por viuvez professou no Convento do Paraíso, passando a residência à posse de sua nora, D. Antónia de Meneses, que nela residia no ano de 1591. 

O colégio, secularizado em época imprecisa, entrou na posse da Família Braamcamp-Reynolds e, no edifício, funcionou a Adega Regional e fábricas de Moagem de Farinha, de Cortiça, de Serração de Madeiras e actualmente, uma secção industrial da PROTEXTIL. Do primitivo corpo palaciego, subsistem restos relativamente importantes de arquitectura manuelina, numa sala térrea da banda norte, integrada no Recolhimento como Sacristia da Igreja de S. Manços e o pavilhão norte-sul de fachada principal para a Rua Cândido dos Reis (antiga Rua da Lagoa). Na empena axial, correspondente ao andar nobre escaparam de obras utilitárias, embebidas nas paredes, três belas janelas da primeira vintena do quinhentismo, elegantemente proporcionadas e impregnadas do hibridismo gótico-árabe comum em Évora no reinado de D. Manuel. As duas primeiras, que correm do alçado imediato ao antigo passadiço de arcos cegos que comunicava com o templete colegial, pousam sobre embasamento saliente, reforçado por sapata de cantaria, e oferecem aspecto de terem pertencido a uma galeria terminal em cujo ângulo existe curioso balcão, obstruído, composto por nodoso e rude tronco de granito, encordoado, que lembra peças similares do Solar Ducal de Vila Viçosa, talvez dirigidas pelo arquitecto Diogo de Arruda. 

A mais bela janela e a principal, geminada e de arcos de ferradura, com molduras concêntricas, tem capitéis e bases naturalistas delicadamente lavrados. Os toros laterais terminam em agulhas de ornatos góticos. O último janelão e o mais ocidental dos três, é de lintel trilobado, guarnecido pujantemente de temas vegetalistas, centrado por emblema heráldico (Sepúlvedas?), repousando em colunelos de capitéis manuelinos e bases prismáticas, calcários. Remate de verga em flexa conopial, toreada. O tardoz e couceira estão trabalhados, igualmente, com ornatos florais e geométricos. O pavilhão inferior, actualmente afogado com os nivelamentos sucessivos da Rua da Lagoa, conserva a estrutura e proporções originais. Primitivo corpo funcional do palácio, talvez adegas, casas da carruagem e depósitos, no séc. XVII foi adaptado a Dormitório Colegial. 

Tem grande carácter e compõe-se de oito vastas salas paralelas, dispostas duas a duas e separadas por arcada de grossas empenas de alvenaria e pedra trabalhada, com arcos redondos ou abatidos. A passagem axial é de arcos de ferradura e as abóbadas nervuradas, umas, de arestas outras, por vezes com chaves circulares, nascem de mísulas rudes, cortadas, servindo de arcos formeiros. Alguns dos artesões, de secção poligonal, sobretudo das salas do lado norte, conservam vestígios muito detalhados de pinturas a fresco, de ornatos renascentistas. As frestas, antigas, do corpo meridional, estão obstruídas. Mais delicada é a sala que serviu de sacristia do templete, situada na ilharga da banda ocidental, hoje utilizada como garagem. Construída nos primórdios do séc. XVI e desenhada em planta rectangular, de arcos redondos, chanfrados, tem belo exemplar de cobertura polinervada, de angras, em composição de estrela ogivada de 12 nervuras de perfis circulares ou rectilíneos, cerrados por bocetes redondos, de pedra, emoldurados com cordas manuelinas. 

Quatro robustas mísulas angulares, prismáticas, ornadas dos tradicionais elementos góticos, enobrecem o recinto, seguramente de arquitectura palaciana do tempo do rei D. Manuel. Tem as seguintes dimensões: Comp. 4,80 m. Larg. 3,60 m. Da igreja resta a arcatura externa completa: era de uma só nave, de tipo corrente do barroco seiscentista, defendida lateralmente por gigantes de alvenaria terminados por fachos ornamentais. A fachada principal, que olha ao sul, de empena mutilada, de singular sobriedade, tem portado e janela de jambas rectangulares, cornijas pouco acentuadas e angularmente duas pilastras de granito trabalhado. A cobertura e o altar perderam-se durante um incêndio que destruiu outras partes do recolhimento. No murete que cerrava a vasta cerca, para ocidente, subsistem vestígios do aqueduto de alvenaria que conduzia a água da Prata, concedida por anéis às comunidades do Calvário e a este Colégio, em 1569 e 1621, respectivamente. 

BIBL. Visitação dos Oratórios de Évora em 1591, ms. da B. P. de Évora, fls. 44, 44, 44 vol.; Pe. Francisco da Fonseca, Évora Gloriosa, pág. 232. 

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Colégio da Madre de Deus (Hospital Militar)


Deveu-se, desde os fundamentos, aos esposos D. Francisca de Brito Sacola e ao Dezembargador Heitor de Pina, cavaleiro fidalgo da Casa Real, devotado colaborador do cardeal-infante D. Henrique e grande protector da Livraria da Universidade do Espírito Santo, para a qual deixou, em testamento, um legado de 10 000 cruzados, in gratio significationem. Para o efeito compraram terrenos situados ao fundo da Rua da Mesquita (actual D. Augusto Eduardo Nunes), onde existira, segundo as crónicas coetâneas, a primitiva Albergaria de S. João de Jerusalém, que vinha do tempo e fundação de D. Afonso Henriques e, obtendo de Roma a Bula expedida a 7 de Agosto de 1595, pelo Papa Clemente VIII, que autorizava a erecção do Colégio, deram início à obra com tanta urgência que, embora de traça grandiosa, pôde ser habitado antes de findar o ano de 1608. 

Os Estatutos do novo edifício foram aprovados em Lisboa no dia 18 de Maio de 1607 e neles se especificaram as características da sua administração e frequência, ficando dependente, em princípio, simultaneamente, do Ordinário e da Companhia de Jesus. Podia manter treze alunos escolhidos por oposição ou como parentes dos fundadores, até ao quarto grau. No Colégio se congregava, anualmente, a Corporação da Universidade para sair em préstito solene no dia de Nossa Senhora da Conceição. Expulsos os jesuítas em 1759, o imóvel sofreu as vicissitudes impostas a esta Ordem Religiosa pelas leis do Estado e passou ao domínio da Coroa, que o vendeu em hasta pública. Ultimamente, entrou na posse do Ministério do Exército, que lhe introduziu modificações necessárias para o fim em vista - instalação do Hospital da 3.ª Região Militar. Concluído em 1608, o Colégio da Madre de Deus conserva, na actualidade, a feição original do seu todo arquitectónico. É um edifício discreto, de alvenaria, em planta rectangular, inspirado nos colégios similares da Purificação e Hospital da Piedade, todos coevos entre si, mas de linhas menos severas, tanto na traça interior como na exterior, que é decorada por simples janelas de ombreiras de granito, sem ferragens. 

A fachada principal, voltada ao lado sul, escorada por cunhal de pedra aparelhada, conserva as antigas entradas colegiais e da capela, esta situada no topo nascente e que teve culto pouco tempo, pois estava por terminar no ano de 1726, como diz o Pe. António Franco, embora estivesse desenhada desde fins do séc. XVII. O portal, de simples guarnição de mármore, com reminiscências clássicas, de frontão triangular, conserva aberta em caracteres latinos, no dintel, este dístico: MAGNA.MATRI.DEI.D. O interior, profanado, serve ao presente de Gabinete do Director do Hospital Militar. Em belas e harmoniosas linhas de arquitectura barroca se levanta o claustro que, em planta quadrada e estilo toscano ocupa vasto espaço da construção, na banda norte-ocidente. Compõe-se de cinco vastos tramos de robustas colunas de mármore branco, de Estremoz, apoiadas em cunhais de granito, sendo as coberturas (certamente na origem em apainelados de madeira), feitas de simples abobadilhas protegidas por esticadores de ferro. O andar superior, primitivamente aberto, conserva vestígios dos capitéis esmagados nas cimalhas dos panos de alvenaria e tem agora janelas com padieiras de granito; o antigo corredor, espaçoso e cómodo, serve presentemente, no lanço leste, de enfermaria comum. 

A escada principal, aberta em lanços de boa construção, com degraus de pedra, é ampla e bem lançada. No centro da quadra subsiste o poço colegial, feito em peças de mármore branco, também da região, com seu alto gargalo de secção rectangular. A fachada posterior do edifício, que deita para o pátio sobranceiro à cerca do Hospital da Misericórdia, na frente oriental, conserva a arcaria de quatro vãos, suportada por altos pilares de granito, em arcos de volta perfeita e bases quadradas, em obra utilitária datável de c.ª 1605. Na empena angular das dependências da face oeste, em alta cartela ovóide de estuque hoje caiada, existia armorial da Companhia de Jesus ou dos donatários. 

Informação retirada daqui

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Chafariz d'el-Rei

Deve-se a sua construção ao monarca D. Manuel I, que o mandou erguer quando estagiava na cidade com a corte, no ano de 1497. A lápide de mármore branco, ostentando a Cruz de Cristo e legenda latina, cronografada, está aposta no merlão central, de grande porte. Sotoposta, em pedra bem lavrada existem as armas de Portugal, segundo interpretação arcaica, constituídas por cinco escudetes dispostos em cruz com bordadura carregada de dez castelos. Robusto muro de alvenaria, com cunhais graníticos, é terminado por cortina de ameias do tipo chanfrado, de perfis muito acentuados. A taça, de granito escuro e carcomido, muito baixa e de planta sensivelmente rectangular, está protegida por vários mamões circulares, rústicos e por aplainar, que servem de amarra aos quadrúpedes ou de degrau para viandantes. 

A inscrição, composta de caracteres romanos e góticos, híbridos, encerra a lição: EMANVEL - I - R - P - ET - A - CITRA - E T - VLTRAMARE - IN - APHRICA - G - D - OMNINVS £ 1497 - ANVS que vertida em português e desdobrando as abreviaturas, se deve interpretar: MANUEL, REI DE PORTUGAL, DAQUEM E DALÉM MAR EM ÁFRICA E SENHOR DA GUINÉ ANO 1497. BIBL. Túlio Espanca, Património Artístico do Concelho de Évora, 1957, págs. 73-74. ADENDA O chafariz Del-Rei sofreu obras de reparação importantes custeadas pelo Município, entre Janeiro-Fevereiro de 1966, reerguendo-se na quase totalidade a cortina de merlões chanfrados, de alvenaria, dos fundamento de 1497, dos quais subsistiam, dos 22 (excluindo o marco axial de homenagem), apenas 5 e muito atingidos pela velhice. Desapareceram, também, por necessidade urbanística, os malhões de pedra dos viandantes de cavalaria, que avançavam muito pela Estrada Nacional. 

Informação retirada daqui

sábado, 24 de junho de 2017

Chafariz das Bravas

Está situado na margem esquerda da ribeira da Torregela, a c.ª de 500 m. da antiga Porta de Alconchel, na Estrada Nacional de Lisboa. Foi construído pelo Senado Eborense no último terço do séc. XV e já existia no ano de 1483, como se verifica em determinado período da carta régia de D. João II, datada de 3 de Setembro, que se guarda no Livro II dos Originais da Câmara, a fl. 81 (Cód. 72 do Arquivo Municipal, em depósito na Biblioteca Pública de Évora). O desenho aguardado da vista panorâmica da cidade, apenso à folha de guarda do Foral da Leitura Nova, doado pelo rei D. Manuel em 1 de Novembro de 1501, representa o velho imóvel de aspecto muito semelhante ao actual, embora fosse bastante melhorado no reinado de D. João III, por empreitada do montante de 10 000 reis entregue aos pedreiros Lourenço Luís e Domingos Rodrigues, segundo arrematação pública de 11 de Março de 1528. Possuía o chafariz no eixo da fachada, opulento brasão de armas nacionais e duas carrancas de pedra nos extremos, que o tempo não preservou, embora se admita que o armorial se tenha recolhido no Museu Regional; todavia, esta frente é a primitiva. 

Forte paredão rebocado, de alvenaria, coroado na cimalha por friso regular de vinte ameias góticas e taça rectangular, de granito carcomido pelo tempo, destinada a bebedouro de animais de carga, protege a arca do depósito de águas que, embora potáveis, não se aconselham para consumo público. O cano subterrâneo condutor da nascente e suas caixas de alvenaria, com remates piramidais, foram rectificados nos tempos modernos, desaparecendo estas ao nivelar-se o terreno municipal sobranceiro à ermida de S. Sebastião, destinado aos mercados normais e feiras de gado. Nestes terrenos descobriram-se em 1860 ruínas da época romana de certo merecimento, tanto em alicerces de edifícios como em objectos soltos: pavimentos de mosaicos policromos, fragmentos de cerâmica utilitária e artística, peças de vidro, lápides de mármore com inscrições latinas e uma figurinha de bronze. 

BIBL. Gabriel Pereira, Estudos Eborenses, fase. Antiguidades Romanas em Évora e seus arredores, 2.ª ed. 1948, págs. 302-303; Túlio Espanca, Património Artístico do Concelho de Évora, 1957, págs. 56-57. 

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Catedral de Santa Maria

Monumento Nacional. As fontes tradicionais atribuem os fundamentos do edifício ao bispo D. Paio, em 1186, e a sua primeira consagração ao prelado sucessor, D. Soeiro, no ano de 1204. A primeira pedra foi lançada no altar de S. Manços, no dia 21 de Maio daquele ano, com licença do rei D. Sancho I. Todavia, dessa fase, que seria inicialmente uma reconciliação da mesquita árabe, tudo desapareceu com a construção da actual Sé que, segundo os últimos estudos críticos e arqueológicos se deve atribuir ao espírito culto e empreendedor do bispo D. Durando Paes, conselheiro de D. Afonso III (1267-1283) o qual, seguramente, benzeu a antiga abside gótica, como o revela a letra da lápide de 2 de Abril de 1283, hoje colocada na capela do Santíssimo Sacramento, que reza... " edificou e enriqueceu por meio de esmolas esta Sé". Os trabalhos prosseguiram morosamente nos reinados imediatos, pela insuficiência de verbas aplicáveis na grandiosa obra que excedia, segundo os planos originais o modelo da Catedral de Lisboa, verificando-se no reinado de D. Afonso IV (1325-57) o acabamento do braço sul do transepto, a sacristia velha, o claustro e a encomenda de escultura do pórtico. Um único arquitecto medieval se conhece - Martim Domingues - e, no séc. XVI, os documentos assinalam trabalhos feitos mas não exemplificados, aos mestres de pedraria eborenses Miguel de Arruda (c.ª 1540), Manuel Pires, Brás Godinho, Mateus Neto e Jerónimo de Torres. Alguns episódios notáveis ou figuras eminentes da História e da Cultura estão intimamente ligados ao venerável monumento; benção dos guiões dos exércitos de D. Afonso IV em 1340, que se cobriram de glória na Batalha do Salado; combate dos Atoleiros em 1385, com D. Nuno Álvares Pereira, e na Batalha de Toro, com D. Afonso V e o príncipe D. João; ecos dos tumultos de Janeiro de 1384, porque os patriotas, dos terraços da Catedral frecharam os defensores do castelo e provocaram o seu incêndio. Na nave foi , perseguida e depois morta a abadessa de S. Bento de Cástris Joana Peres, parcial da rainha D. Leonor Teles. Por último, a tragédia da população civil recolhida nas suas naves, no pânico de Julho de 1808, acarinhada pelo arcebispo D. Fr. Manuel do Cenáculo ante as hordas enfurecidas de Loison. Quase todos os monarcas portugueses oraram no presbitério e, no púlpito se fizeram ouvir, entre outras, as vozes de homens sábios e ilustres: D. Domingos Anes Jardo, um dos doutores da fundação da Universidade de Coimbra, D. Álvaro da Costa, Cardeal de Alpedrinha, D. Garcia de Meneses, D. Afonso de Portugal, Jean Petit, D. Jerónimo de Azambuja, S. Francisco de Borja, Jerónimo Osório, os cardeais-infantes D. Afonso e D. Henrique, filhos de D. Manuel, Luís António Verney, D. Fr. Manuel do Cenáculo e D. Fr. Fortunato de S. Boaventura. A planta da Catedral é de cruz latina, nos moldes tradicionais dos edifícios religiosos congéneres de França e Espanha e inspirou-se na estrutura e alçados da Catedral de Lisboa, donde, provavelmente, vieram os seus arquitectos. Dispõe-se em três naves e cabeceira constituída por cinco capelas, sendo aquelas divididas em sete tramos rectangulares e a nave central, mais ampla, cortada por um transepto saliente, com dois tramos em cada braço. No eixo deste, ergue-se a torre lanterna, de secção octogonal, nascida em pilares de colunas enfeixadas, assente em trompas decoradas com figuras antropomórficas, onde se rasgam janelas de volta perfeita e uma galeria de circulação, ambas cobertas de abóbadas nervuradas. Este tipo de zimbório gótico, inspirado em protótipos românicos de Perigord e do Poitou, dos quais as mais puras versões arquitectónicas subsistem nas Catedrais de Salamanca, Toro, Zamora e Plasencia, naturalmente bebidas em fontes tradicionais bizantinas dos sécs. XI-XII, é peça tardia da arte gótica portuguesa, embora única no seu género e proporções, depois de perda da torre da Sé de Lisboa, devendo a sua conclusão entrar no último terço do séc. XIII. 

Exteriormente, o tambor, que é de um só andar e que sofreu importantes beneficiações em 1737 e 1859, é coroado de uma agulha esguia de globo e anjo do cata-vento feitos em folha de cobre, antigos, sendo aquele decorado por inscrição religiosa, sem data, e que substituiu a grimpa da cruz de metal dourado, feita em 1586 e que se desfez na tempestade do 1.° de Dez. de 1736. Todo o aparelho, granítico, é constituído por escudetes de escamas imbricadas e as frestas maineladas, são decoradas por delgados arcos formaletes de volta perfeita. Os ângulos estão abraçados por um cornija trilobada e rematados com torrinhas também octogonais. Este sistema ornamental acompanha todo o alçado superior do edifício, nomeadamente nos ângulos do cruzeiro. As duas rosáceas deste corpo são exemplares originais do estilo gótico francês da Champagne; a do norte, ornada de vinte colunelos rompentes de círculo lobulado rodeado de arqueias, mais antiga; e a do lado sul, de moldura tangente à abóbada do transepto, e de excepcionais dimensões, serviu de modelo a algumas lunetas de igrejas portuguesas posteriores. No terraço, correspondente à espinha da nave central, levanta-se um pequeno e singelo relógio de sol, de mármore branco, datado de 1810: está assente em peanha cúbica de alvenaria. O campanário da Garrida, erguido no braço norte do cruzeiro, tem frontão de enrolamento ladeado por pináculos barrocos. Tem aspecto seiscentista e o aparelho da corda da sineta é constituído por curioso ferro forjado, coevo, de quimera estilizada. A fachada do ocidente e axial do monumento, toda de cantaria aparelhada e onde subsistem inúmeras siglas dos mestres canteiros medievais, é constituída por um pórtico de arco quebrado, gótico, ladeado de duas torres quadradas, na altura máxima de 40 metros, as quais acusam as épocas várias da sua construção e os materiais diferentes nelas empregados (1). A do norte, de cinco andares e a mais antiga, é iluminada pela mesma ordem de janelas, todas de volta perfeita, românicas, umas de singelas molduras toreadas e outras de grandes aberturas ornadas de três arquivoltas semicirculares assentes em rudes colunelos. A janela do primeiro piso é moderna e reproduz a que fica ao mesmo nível da torre sul. Tem, no remate, um coruchéu de secção octogonal revestido de azulejos verdes, de reflexos metálicos (parte moderna de 1859), em cuja base existe friso trilobado composto de bolas e de merlões chanfrados. É obra do estilo manuelino do tempo do Bispo D. Afonso de Portugal - C.ª 1500. 

A torre do lado sul, coroada de uma agulha baixa rodeada de pináculos de alvenaria e que reproduz a torre lanterna (obra tardia do séc. XVI), é amparada por robustos botaréus de secção rectangular que terminam à altura do parapeito das frestas sineiras. Nas suas faces descobertas, assim como em todas as cornijas do edifício, vêem-se curiosas e originais gárgulas de pedra, góticas e de intenção zoomorfa. Nos socos da mesma torre, assim como no embasamento do adro actual, rasgam-se cinco arcosólios tumulares, vasios, recentemente desobstruídos e que em 1750 foram sacrificados com as respectivas arcas quando da construção da demolida Vestiaria. A chanfradura do cunhal para o adro, é vestígio de um púlpito exterior, medieval: sotoposto e em arranjo dos Monumentos Nacionais, sobre base recente, foi colocada a pedra tumular, brasonada, do Deão D. Cristóvão de Chaves Abreu Corte Real (f. 1717), presidente do Cabido que recebeu os hóspedes reais D. Catarina de Inglaterra e D. João V, em 1699 e 1715, respectivamente. A sepultura estava no chão do adro. A casa interior do segundo pavimento da torre, em planta rectangular e cobertura hexagonal assente em trompas, com oito nervuras triangulares de granito, apoiadas em mísulas fito e antropomórficas, tem características ducentistas e serve de caixa de pesos do relógio, cujos primeiros engenhos das horas e dos quartos foram feitos por Francisco Fernandes entre 1602-604. 

O actual mostrador, aberto em grande placa de mármore regional quase ao nível das sineiras, com frontão triangular e ornatos de querubins, tem a data de 1704. As escadas de ambas as torres são helicoidais e de granito. O nartex do pórtico, de uma época mais recente e provavelmente acabado na fase de obras do tempo de D. Afonso IV, é completamente aberto por vultuoso arco quebrado com duas fiadas de aduelas que assentam em três consolas cónicas, sobrepujadas de capitéis de crochets coroadas de ábacos poligonais. A abóbada, sem arcos formeiros, tem ogivas de perfil triangular. A porta compõe-se de elegante arco gótico ladeado por seis arquivoltas decoradas de toros delgados, rompentes de capitéis de mármore branco revestidos de folhagem disposta em três andares. Os fustes, assentes em mísulas ornatadas de figuras humanas e animais fantásticos, transformados em colunas-estátuas, ostentam o Apostolado, conjunto raro e o primeiro da escultura medieval portuguesa, que se deve atribuir ao ciclo de obras determinado pelo Bispo D. Pedro IV, entre 1322-40. As imagens, de tipo atarracado e de roupagens delicadamente esculpidas distinguem-se em dois grupos bem diferenciados como estilo e personalidade artística: S. Pedro e S. Paulo, mais realistas, podem filiar-se na obra conhecida de mestre Telo Garcia, de Lisboa, simultaneamente aos Evangelistas do claustro, onde subsistem reminiscências românicas. 

Os restantes, de rostos individualizados e monótonos, pertencem a plastífices de menores recursos estéticos. A parede fundeira do terraço da galilé, é aberta em quase toda a extensão por janela fenestrada, que se compõe de quatro arcos mainelados e de uma grande luneta lisa, os quais estiveram guarnecidos por vidraças coloridas, com figuras sagradas, que se perderam em 1586 durante uma violenta tempestade. Nos alçados laterais do pórtico subsistem dois sarcófagos de mármore, trecentistas, metidos em edículas de arcos góticos (um singelo e outro trilobado), que foram descobertos nos fins do séc. XIX. O túmulo da banda sul, armorejado, tem a inscrição: ANIUERSSAIRO: POR :ME :PIZ :PESTANA :CAULEIRO: Todavia, o escudo da arca, de cadeado, espada e lança, tem as nove lisonjas de prata carregadas de igual número de leões de púrpura, dos Britos. O do lado norte diz: ANIUERSSAIRO :POR:FERNÃ: DÕMIGZ: CONIG.O : Sobrepujante e mutilada por ordem real no onomástico Távora, que foi substituído pelo de Sousa, existe a lápida comemorativa da sagração da Igreja Catedral, em 1746, depois das grandes obras da cabeceira. HAEC ECCLSIA CATHEDRA LIS METROPOLITANA EBORE SIS FUIT CONSECRATA AB EX CEL.MO ET R.MO DOMINO DONO FRATRE MICHAELE DE (SOU Z) A ORDINIS EREMITARUM S. P. AUGUSTINI ARCHIEPIS COPO EBORENSI DIE VIGESI MA SECUNDA MAII ANNI MILLSIMI SEPTINGENTESI MI QUADRAGESIMI SEXTI A lápida sobranceira é moderna e tem esta letra: IN. PERP.REI.MEMORIAM DIE.XXII.IVNII.A.D.MCM D.AVGVSTVS.EDVARDVS.NVNES ARCHIEPISCOPVS.METROPOLITANVS EBORENSIS.SS.DNI.LEONIS P.P.XIII IVSSVI.LIBENTER.OBTEMPERANS HANC QIVITATEM.TOTAMQVE.EBORENSEM ARCHIDIOECESIM.SACRATISSIMO CORDI.IESV.SOLEMNI.RITV.DEVOVIT. Paralelamente, cravado na parede, sobre o túmulo de Mem Pestana, vê-se um brasão de armas primitivo, gótico, dos Costas, que pode relembrar a memória do Bispo D. Jorge da Costa, Cardeal de Alpedrinha, que governou a diocese em 1463-64. As fachadas laterais do edifício, predominantemente românicas e caracterizadas pela robustez da estrutura e pelo uso de largos espaços nus entre contrafortes espessos, são iluminadas por dois tipos de frestas, de meio ponto nas colaterais e de duas luzes e óculos lobulados no corpo superior, que assinalam e concretizam as fases de arquitectura evolutiva romano-gótica da construção. Das entradas laterais a que conserva a estrutura primitiva dos fins de duzentos e de arquitectura e decoração góticas, é a Porta do Sol, rasgada no topo sul e que se atinge através de 15 degraus de granito, na quase totalidade novos porque, no século XVIII, o Cabido nivelou o adro circundante com a repisa do portal, ocultando as arcas tumulares. Compõe-se de um arco estreito, quebrado, ornado de três arquivoltas rompentes de colunelos atarracados, de mármore, com capitéis de folhagem de crochets, parras e cardos. 

Colateralmente, duas arcas ferais, anepígrafas, e na parede ocidental da Sala Capitular, em arcosólio de volta redonda, o mausoléu de Pedro Mestre, de cruz abacial na tampa e a inscrição: ANIVERSSAIRO POR P.O M.RE (letra gótica) Leitura da inscrição latina, quinhentista: CREDO IN DEVM PATREM OMNIPOTENTE CREATORE CELI ETERRE ET IN IESVM XPM FILIVZ EIVS VNICVM DOMINVM NOSTRV QVI CONCEPTVS ET DE SPV SANCTO NATVS EST EX MARIA VIRGINE, PASVS SVB PONTIO PILLATO CRVEIFIXVS MORTVVS ET SEPVLTOS DESCENDIT AD INFEROS TERTIA DIE REPVRREXII AM ORTVIS ATENDIT AD CELOS SEDET AD DEXTERAM DEI PATRIS OMNIPOTENTIS INDE VENTVRVS EST IVDICARE VIVOS ET MO RTVOS CREDO IN SPIRITVM SANCTVM ET SANCTA M ECCLES IAM CATTHOLICAMS SANCTORVM COMVNIONEM REMISSIONE M PECATORVM CARNIIS RESVRRECTIONEM VITAM ETERNAM AME A abóbada da galilé, posterior, deve ser do período de obras do bispo D. Afonso de Portugal, c.ª de 1500 e compõe-se de vasto arco abatido, que antecede dois tramos nervurados, de toros de tijolo decorados por chaves e mísulas de pedra, naturalistas e exóticos. Uma delas é figurada por combate de ofídios. Do terraço, desapareceu ultimamente a galeria de arcos redondos, setencentista. No alçado meridional da Casa Capitular, em edículas góticas, subsistem mais dois sarcófagos graníticos, de personagens desconhecidas, do séc. XIV. Junto da parede mestra da Capela do Fundador, do claustro exterior, rasteiras, estão duas campas de mármore regional, dos primeiros capitães-mores de ginetes da cidade, os Castros de treze arruelas, moradores no Paço de S. Miguel da Freiria. Armorejadas, têm legendas de caracteres góticos: AQUY :JAZ :DÕ :FERNÃM :DE: CASTRO :CAPITÃ :QE :FOI :DEST A:CIDADE: AQUY:JAZ:DÕ:DIOGUO: DE: CASTRO: CAPITA: QE: FOI: DESTA: CIDADE: A capela tumular de família, da época manuelina, chamada da Trindade, perdeu-se em 1937, por demolição oficial assaz precipitada e infeliz. Ao norte, no 5.° tramo colateral da fachada do edifício, rasga-se a Porta de Pedro Vivas, com vestígios do arco gótico original, sacrificado na sede vacante de 1662, com o enxerto do presente portal apilastrado e de volutas de enrolamento no tímpano. Peça barroca de granito, está cronografada na tabela axial. As portas, de madeira de angelim, com pregaria, espelhos e batentes leoninos, de bronze, são da reforma decretada pelo arcebispo D. Fr. Luiz da Silva, c.ª 1700. NAVE CENTRAL Compõe-se de sete tramos rectangulares, divididos por arcos torais assentes numa única coluna, com o comprimento de 41,00 m largura de 5,80 m e 19,05 m de altura máxima. As empenas são separadas por dois andares muito elegantes quebrados por um trifório estreito e pouco elevado, de arcadas que compreendem cinco arcos góticos em cada tramo, e repousam em pequenas e toscas colunas decoradas por capitéis naturalistas e zoomorficos. 

Nesta galeria, que abraça toda a nave e o cruzeiro e quebra a monotonia dos alçados, imprimindo-lhe certa monumentalidade e se inspirou no trifório românico da Catedral de Lisboa, existe embebido no parapeito do quinto tramo da banda sul, um alto-relevo ducentista figurado por busto de personagem anónima segurando uma tabela com o monograma C E. Tradicionalmente, diz-se que representa Martim Domingues, um dos arquitectos da Catedral. A abóbada, assim como a do transepto, do sistema de berço quebrado seccionada por arcos torais, é manifestação de arquitectura rara em Portugal no seu tempo, apenas verificada anteriormente na igreja cisterciense de Tarouca e na Sé do Porto. O corpo da nave central está separado das colaterais, mais baixas e de um só andar, por pilares cruciformes de oito colunas, distribuídos pelos topos e pelos ângulos. Os perfis das bases, góticos, são ornados de molduras de socos octogonais, actualmente meio enterrados no pavimento de mármore que cobre o primitivo, o qual teve início em 1645, em determinação do Cabido e se reajustou na totalidade no período final da obra da capela-mor (C. ª 1740). Os capitéis que decoram os pilares são grosseiramente esculpidos e pertencem a vários tipos, onde perdura a influência e tradição românica, mas a maioria são já do estilo gótico importado da Picardia. Na ornamentação vegetalista, estilizada, perduram as pinhas, crochets, cachos e folhas de videira, além de rudes máscaras das primícias do goticismo peninsular. As colaterais, com igual número de tramos, são cobertas de abóbadas de aresta, como as das Sés de Coimbra e Lisboa. Desaparecidas as capelas laterais do séc. XVII, foram reconstituídas as frestas de tipo românico que iluminam as naves, as quais, apesar das suas características arcaicas são de um período avançado do séc. XIII. Em 1669, sede vacante e sob assistência do arquitecto João Nunes Tinoco, realizou-se o revestimento do corpo das naves, pilares e abóbadas, com argamassa, para evitar maior ruína de certos membros da cantaria gravemente afectada pelo salitre. Posteriores, são as pinturas em medalhões redondos, da colateral sul, representados por armoriais e emblemas do Bispo D. Afonso de Portugal, além do escudo do arcebispo-cardeal D. Fr. Patrício da Silva (este metido em tabela quadrilobada), datado de 1826. Na cobertura da nave central e na correspondência de cada tramo, existem sete grandes murais elipsóides, representando S. Pedro e S. Paulo e os doutores da Igreja: S. Jerónimo, Santo Agostinho, S. Gregório Magno, S. Boaventura, e S. Basílio, patriarca dos monges do Oriente. São pinturas medíocres dos fins de setecentos. As portas das três entradas, de madeira de angelim, que substituíram outras presumivelmente do tempo do bispo D. Afonso de Portugal, do estilo mudejar, foram mandadas fazer em Lisboa pelo arcebispo D. Fr. Luís da Silva, custando a axial, que é a mais notável, 605.645 rs. (mão-de-obra e ferragem). Foi colocada no ano de 1692, data que existe em algarismos árabes no tímpano. Os batentes, almofades, são completamente rebordados por pregaria torneada, espelhos brasonados (armas dos Teles da Silva) e puxadores de quimeras zoomórficas de delicado lavramento e fantasia, de bronze. O guarda-vento, de madeira de vinhático, sobriamente esculpido com elementos naturalistas e sanefas, é terminado por rica composição na face posterior, de frontão quebrado e luneta; sobrepujante, elegantes urnas de grinaldas e albarradas esculpidas. Apilastrado e de largas vidraças, com quatro portas sobre as quais corre friso ornatado, está cronografado de MDCCXCVIII e, sob opulenta carteia ovóide, com resplendor de talha, no sobrecéu, existe a legenda latina, gravada em bronze, do doador: ARCHIEPISCOPO D.D.JOACHIMO XAVERIO BOTELHO DE LIMA SEDENTE BAPTISTÉRIO Rasga-se na banda do Evangelho e no seu aspecto actual é obra do bispo D. Afonso de Portugal (1485-1522). É aberto por arco abatido, de colunelo torso, repousando em pilastras de bases flordelizadas e remates de arcaria apontada, recobertos de ornatos exóticos, de granito policromo. Friso, no tímpano, de cordão naturalista, e capitéis de folhagem, policromos. 

No eixo, sobrepujante, armorial calcário, igualmente colorido, do prelado fundador. É fechado por curiosa e rara grade de dois cancelos de oito balaústres torsos, de ferro forjado, com barra de ornamentos góticos e árabes apoiada em mísulas de bestiários estilizados. O frontão, compõe-se de arcos flamejantes ornados pelo escudo do mesmo bispo e por lanternetas com fogaréus, certamente emblema e símbolos da Fé; lateralmente, pilaretes de base quadrada recobertos de folhagem original. Trabalho raro de siderurgia artística, do período manuelino e do estilo híbrido dominante na sua época, foi atribuído, mas com naturais reservas, pelo prof. Reinaldo dos Santos, ao ferreiro António Fernandes. A grade férrea de acesso ao Coro e Vestiarias, também de dois batentes e coeva, embora mais singela, tem remates de pinhas em forma de quimera, urnas piriformes e laçaria encordoada na empena, florões e palmas. A pia baptismal, de mármore branco, lisa, de secção octogonal assente em base discóide subdividida em idênticos quartões ligeiramente torsos, é do mesmo período manuelino. A dependência, de planta semicircular, está forrada por lambris de azulejos azuis e brancos de tapete, e o resto dos alçados por pintura a fresco, de laçaria e ornatos brutescos. A abóbada tem medalhões representando o Baptismo de Cristo e o Espírito Santo, este envolvido por legenda latina alusiva. É arranjo de c.ª 1690. As duas pias de água benta, de mármore regional, da entrada principal da Sé, são desenhadas em octógonos de faces gomeadas, fustes lisos e peanha torsa ornadas de bolas e bases poligonais. Estão presas por quimeras fantásticas, de ferro batido e são manuelinas, do tempo do bispo D. Afonso de Portugal, grande benemérito do edifício. O púlpito, elegante peça clássica de mármore branco, datado de 1570, que se encaixou na boca do cruzeiro meridional, é obra do arcebispo D. João de Melo e Castro e para a sua colocação teve de se chanfrar a pilastra fasciculada da torre lanterna. De secção cilíndrica, tem balaústres e parapeito revestidos de folhagem estilizada; repisa esculpida com querubins, carteias e palmetas. A peanha, de coluna de braceletes, assenta em base triangular. Pendentes, na capela-mor e nave central, por fortíssimos espigões e cadeias de ferro forjado revestidos de esferas de lenho dourado, vêem-se seis lustres de cristal, dos primórdios do séc. XIX, que substituíram as antigas lâmpadas de prata sumidas na pilhagem francesa de 1808. São de tamanhos variados, mas o do cruzeiro é de excepcionais dimensões e de dois círculos de lumes, sendo o disco exterior composto de 38 candelabros. 

No transepto existem duas memórias de mármore muito importantes: a da Batalha do Salado, que está embebida na pilastra junto da Capela do Sacramento e que pertenceu à Confraria de Nossa Senhora da Vitória, instituída em tempo do rei D. Afonso IV, e a dos altares primitivos da Catedral, aplicada na parede exterior da Sacristia. Esta é mais antiga e reza: ALTARIA :VGNIS :GLOSE :MTS :DNI: SANCTE :MIE :SCI :BARILO :MI :APPLI : SANCTI :IHS :BBTE :SCI :LAVRECII :MRIS: SCI :IVLIANI :MRIS :BONIFACII :MRIS: SCOR :VICECII :SAVINE :& :XPTIS :MARTR : SCE :LVCIE :MRIS :S :AVCTORITATE : OJVM :DNI :CONSACRATA :PER :SERVITVTE : MANVS :FERNADI :LICET :I: DINI :TVC :EPs :ELORESIS :E :M: CCC:XL:VI:::::::: :::: &:SANCTI:MANCII: A histórica lápida da jornada do Salado, escrita em caracteres góticos, quadrados, é da 2.ª metade do séc. XIV. E: M: CCC: LXX: VIII: ANNOS: ABENAMARS: SENHOR; DA :ALE :DO :MAR :9FIZADO :DE :SI :E: DO: SEV: GRADE: AVER: E: PODER: PASSOV: A: OVE: DO :MAR :9NA ORR :FILHA :D :R: B EY:DE TVNIS:PA:PSEG:E:DESTSR:OS:XPTTAAOS: CERCOV :TARIPA :E :0 :SEV :E :TÃTO :Q :N :PODER: ÕSM:CÕTÃTO:PODER:E:POYS:REY:DÕ:A°:DE: CASTELA: VIV :Q: N: PODE: SEER: CERT: OVVE: RECEO: E:P:SI:VEO:A:PORT: DEMÃDAR:AI VDA:AO: Q: TO: AF: REY: DE: PORT: SEV: SOGRO: E: AEL: PVGE: MVIT: DELHA: FAZER: CÕ :SEV :CORPO :E :CÕ: SEV :PODER :LOGO :SE :TDÃÇA :9PECOV :O :CAMINHO; PA: A: FRÕTEIRA: E: MÂDOV :Q: OS: SE9: SE: FOSSE: EN:PO: SEL: DEVORA: LEVOV: C: CAVALRS: E: M: PEÕES: GÕCALO: ETEVEES: CARVOEIRO: FOI: P: ALFEREZ: LIDAR :9: OS:MOVROS:E:ELREI:DEPORTVGAL:ENTÊDEV:EN: REI :DE :GRANADA :E :REI :DE :CASTELA :EN :REI : ABENAMARIN :E :MERCEE :FOI :DE :DEVS: :Q :NVCA: MOVRO: TORNOV: ROST11: E: MORRERÃO: DELOS: TAN TOS:: A :Q: N: PODERÕ: DAR: 9TA: REI ABENAMARI: E :REI :D :GRAADA :FVGIROM :NO :ARAIAL :DE :REI: BENAMARIM: ACHAROM: GRANDE: AVER: EN: OVRO: E: EN: PRATA: E: OVVEO: REI :DE: CASTELA: MAT AROM: I: A: FORA: E: MVITAS: RICAS: MOVRAS: E: OVTRAS :MOVRAS :MVITAS :E :MENINO :EFIID9: CATIVAROV: HW: FILHO: DE ABENAMARI: E: HVV: SEV :SOBRINHO :E :HVA :SVA :NETA :DEVS: SEIA: PERA: TODO: SËPRE: BEETO : POR: TATÁ: MERCEE :QVÃTA :FEZ :AOS :XPÃAOS :AMEN: ALTAR DE NOSSA SENHORA DA ENCARNAÇÃO ou simplesmente da SENHORA DO ANJO (a tradição baptizou-o, ainda, de SENHORA DO Ó) Tem a mais curiosa obra de talha barroca da Catedral, feita nos primeiros anos da década de 1690, a instâncias do Arcebispo D. F. Luís da Silva, que igualmente decorou no mesmo período as destruídas capelas do corpo das naves laterais. Está aplicado contra o 4.° feixe de pilastras da nave central, no lado do Evangelho. Dispõe-se em forma de pórtico cupulado, em rico entalhamento dourado, de madeiras de castanho com seis colunas salomónicas recobertas de aves parras e uvas, sendo o arco axial, redondo, envolvido por fustes concêntricos, do mesmo tipo, separados por misuletas ornadas de serafins, palmetas e conchas. Ao centro, opulento medalhão figurado pelo Padre Eterno e anjos atlantes; sobrepujante, composição de lavramento delicado com óvulos, lambrequins e volutas e o armonial do doador. Os acrotérios estão iluminados por figuras alegóricas, de alto-relevo. Composição mural, coetânea, remata o tabernáculo e alcança o parapeito do trifório. É constituída por anjos abrindo grande e vistoso dossel. 

Nas faces laterais existem dois nichos ornatados por símbolos religiosos, quimeras ou folhagem, onde se conservam os bustos-relicários de S. Francisco Xavier e S. Filipe Nery, de madeira estofada, os quais se fizeram em Lisboa pela importância de 10000 rs.: os resplendores, desaparecidos em 1808 durante o saque francês, custaram 20000 rs. A escultura da padroeira, assente em preciosa base de talha dourada com friso de querubins, é obra gótica de imaginário quatrocentista do ciclo oficinal da Sé. De mármore regional, está recoberta com múltipla pintura de tinta de óleo: sobranceiro, o Anjo S Gabriel, delicada imagem de factura flamenga dos fins do séc. XV, de madeira de carvalho, com estofamento e repintura modernos. Está atribuída a mestre Olivier de Gand. A mísula, encastrada na coluna, de calcário policromo, é de intenção zoomorfica - abutre devorando um coelho. É medieval. Medidas das duas imagens: N.ª S.ª do Ó: alt. 1,50m Anjo da Anunciação: alt. 1,25 m No altar existem algumas peças sacras de merecimento, a saber: Banqueta, constituída por seis castiçais de pau-santo, de base circular e discos anelados recobertos de placas de metal. São do séc. XVII e foram agrupados, embora em dimensões desiguais, de duas séries dos Conventos do Salvador e N.ª S.ª do Carmo. Crucifixo de marfim, trabalho português do séc. XVII, de tipo jansenista. Mede, de alto, 46 cm. A cruz, de pau-santo, de andares, tem pilaretes de volutas. Duas imagens do Menino Jesus, de vestir, uma oriental, do séc. XVII, que veio do Convento do Paraíso, e outra chamada o Menino Jesus chorão, doada ao Convento do Calvário pela valorosa fidalga D. Juliana de Sousa Coutinho, ascendente dos Duques de Palmela e conhecida na expressão popular da literatura amorosa do tempo do Marquês de Pombal, como o Bichinho de conta (último terço do séc. XVIII). Aos pés do altar, transformada em degrau, pedra tumular de mármore branco com inscrição parcialmente mutilada: SEPVLTVRA DE FRANCIS CO DE MO VRA CON IGO QVE FOI DE STA SE O ferro de suspensão da lâmpada do santuário é curiosa peça barroca de c.ª 1695, ornamentada com aletas, túlipas e cabeça de monstro estilizado. CAPELA DE N.ª S.ª DA PIEDADE ou do ESPORÃO Rasga-se no pano fundeiro do transepto (lado do Evangelho) e foi fundada a consentimento de D. João III, do Cabido e do bispo-infante D. Afonso por Breve do Papa Clemente VII de 1530, para sepultura de João Mendes de Vasconcelos, cavaleiro da casa real, morgado do Esporão e antigo embaixador junto de Carlos V. A comprovar o evento histórico existe embebida na parede lateral esquerda, exterior e mutilada hoje, uma lápida de mármore com a seguinte legenda: ......ELA MÃDOV FAZER JOANE MEDEZ DE VASCÕCELOS ......DEL REI DÕMANOEL PRIMEIRO E DEL REI DO JOAM ......O PERASI E PERA DONA BRIOLANIA DE MELO SVA MOL ......SEVS ERDEIROS O ERDARE O SEV MORGADO DO ......SEIS DECÕSEMTEMENTO DE TODO HO CABIDO DESTA ......DOM JOAM E DO CARDEAL IFÃTE SEV IRMÃO BPÕ D ......Õ SESÕS CÕFERMOV O NOSO MVI SANTO PAPA ......SEGVDO E CÕTEVDO E SEV CÕPRIMISSO E MÃDAO ......MEDEZ A SEVS ERDEIROS O TENHÃO CVIDADO DE A ......SÁ COTEDIANA O ELE LEIXA O SEDIGA PER S ......PELA A OVAL SE ACABOV NO ANO DE 1530 AN. Dedicada a N.ª S.ª da Piedade teve, na sua origem até o ano de 1620 um valioso retábulo de pintura da escola hispano-flamenga, da Paixão de Cristo, que deslocado nesta data para a capela-mor, se agrupou como predela ao políptico da Vida da Virgem, da escola de Bruges e, a partir de 1718 se recolheram ambos ao Paço Arquiepiscopal. Desconhece-se o autor do projecto de arquitectura que teria sido artista avançado na sua época, porquanto o portal, esculpido em belo mármore de Estremoz, obra híbrida do estilo manuelino-plateresco, denuncia, na região, o aparecimento do Renascimento, que seria consagrado na década seguinte com a vinda de Chanterene na comitiva real de D. João III. O arco, de majestosas proporções, de meio ponto, torso, cronografado de 1529, está recoberto nas pilastras, frisos, ilhargas e bases, pelos clássicos elementos da arte peninsular coeva: no tímpano, dois medalhões circulares de baixo-relevo, representando cavaleiros. Remate axial encastrado no trifório do cruzeiro, constituído por pórtico adosselado e escudo de armas do fundador. Nos acrotérios, urnas e capitéis de quimeras. O interior, em planta rectangular e muito cómodo é coberto por abóbada de ogivas polinervadas, com estrela de doze raios de aresta viva, elegantemente proporcionada, com chaves de mármore e cercadura de corda, compostas pelos escudos de faixas vairadas em campo dos Vasconcelos e os seis besantes dos Melos. Mísulas renascentistas, bem esculpidas, ornadas de serafins e elementos fitomórficos. 

A composição actual - retábulo e caixas tumulares dos donatários - , foi ordenada no ano de 1620, segundo disposição testamentária de D. Helena de Noronha da Costa, Senhora de Panças, e levada a efeito por seu marido, o Regedor das Justiças Manuel de Vasconcelos, 6.° morgado do Esporão, que morreu em Madrid em 1637, como membro do Conselho de Portugal. O altar é um precioso exemplar de talhas policromas de madeira de carvalho, em forma de arco de tipo da contra-reforma mas ainda moldado em desenhos do italiano Serlio, em colunata coríntia, de esteios dourados e o terço recoberto por ornatos de fantasia, religiosos e naturalistas. O frontão é triangular carregado de uma segunda empena segmentar com tabelas barrocas, rectangulares e guarnição de óvulos, palmetas e friso reticulado. Nos acrotérios, fogaréus piriformes cupularmente rematados em agulha. O grande painel de pintura, a óleo sobre tábua de carvalho, do Descimento da Cruz, que o decora, atribuído a um dos irmãos pintores eborenses Francisco Nunes ou Pero Nunes, é obra arcaizante do classicismo italiano de Rafael, vulgarizado na Península através de estampas de Marcoantónio Raimondi. Alguns dos móveis do santuário têm valor artístico, que enumeramos: Dois bancos, de nogueira e quatro lugares, com pernas torneadas, assentos e costas de couro repuxado e pregaria amarela (meados do séc. XVII); Par de cadeiras, de nogueira, de braços e costas de lira, com filetes dourados e pernas recurvas esculpidas por palmetas, vieiras e mascarões. Coxins soltos, de damasco. Estilo D. João V. Alt. 1,18 x 0,62 m. (larg. do fundo). Par de credencias douradas, de casquinha, esculpidas com ornatos envieirados; pernas recurvas e pés de garra. Estilo D. João V. Alt. 0,85 x larg. máx. 1,18 m. 

O Crucifixo da banqueta, é uma formosa e dramática escultura do estilo italiano, de marfim, do séc. XVIII, o qual mede, de alto, 44 cm. As placas tumulares dos padroeiros, de mármore branco, molduras e ornatos a negro, da severa arte barroca, são apenas cenotáfios. Rememoram os seguintes morgados do Esporão e suas respectivas esposas: João Mendes de Vasconcelos e D. Briolanja de Melo; Álvaro Mendes de Vasconcelos e D. Guiomar de Melo; João Mendes de Vasconcelos; Manuel de Vasconcelos, que foi casado, respectivamente, com D. Luísa de Vilhena e D. Helena de Noronha. Leitura das lâminas (2) Ao Evangelho: JOÃO MENDEZ DE VASCONCELLOS S.OR DO MORGVADO DO ESPO: RÃO FILHO DALVARO MENDES DE VASCONCELLOS E DE DONA LIANOR RIBEIRA S.RA PROPRIETÁRIA DESTE MORGVADO FOI DO CONS.º DEL REI DOM M.EL E DEL REI DOM JOÃO O 3.° E SEU EMBAIX.DOR NA CORTE DOS REIS CATHOLICOS, E DEL REI DOM CARLOS SEU NETO E DE CONSENTIM.TO DO DITTO REI DOM JOÃO; E DO CARD.L IFFANTE DOM AFFONSO SEU IRMÃO, BP.° DESTA CIDADE, E DO CABIDO DESTA SEE CONFIRMADO PELLO PAPPA CLEMENTE 7.MO MANDOU FAZER NO ANNO DO S.OR DE 1530 ESTA CAPELLA PARA SEV JAZIGO E DE DONA BRIOLANIA DE MELLO SUA 2.ª MOLHER, E DE TODOS SEVS SVBCESSORES, QVE HERDASSEM O DITTO MORGADO D'ESPO: RÃO: DOVTOVA, DE HUA MISSA QVOTIDIANA PARA SEMPRE INCLIVINDO NELLA AS. QUE O MORGADO IA TINHA DE OBRIGAÇÃO. ESTA A QVI SPVLTADO COM A DITTA DONA RBIOLANIA DE MELLO SVA MOLHER, FALLECERÃO AMBOS NO ANNO DE 1541: ÁLVARO MENDEZ DE VASCONCELLOS S.OR DO MORGADO DO ESPORÃO FILHO DE IOÃO MENDES DE VASCONCELLOS, E D. JOANNA D. SOV // SA SVA I. ª MOLHER (FILHA DE D. VASCO MIS DE SOVSA CHICHORRO CAPI // TÃO DOS GINETES DEL REI DOM AFONSO 5.° E SEV FRONTEIRO MOR DE TRÁS OS MONTES). FOI DO CONS.º DEL REI DOM JOÃO O 3.° E SEV EMBAIXADOR MVITOS ANNOS NA CORTE DO EMP.OR CARLOS 5.° AQVEM ACOMPANHOV EM MVITAS DE SVAS EMPREZAS: ALCANÇOV DO PAPPA PAVLO 3.° NO ANNO DE 1536. A BVLLA DA INSTITVICÃO DO ST.º OFFICIO DA INQVISIÇÃO NESTES REINNOS. SENDO ENVI ADO A ISSO, PELLO DITTO REI DOM JOÃO. FALLECEO NO ANNO DE 1555. E ESTA SEPVLTADO NESTA CAPELA COM DONA GVIO // MAR DE MELLO SVA MOLHER, FILHA DE DVARTE DE MELLO, E DE DONNA ISABEL DE BRITTO, A QVAL FALLECEO NO ANNO DE 1578. À Epístola: JOÃO MENDEZ DE VASCONCELLOS, SENHOR DO MORGADO DO ESPORÃO. FILHO DE ÁLVARO MENDES DE VASCONCELLOS E DE DONNA GVIOMAR DE MELLO SVA 2.ª MOLHER. FOI DO CONSELHO DOS REIS DOM SEBASTIÃO, DOM HENRIQUE E DOM PHELIPPE O PRIMEIRO: ESTA SEPVLTADO NESTA CAPELLA, FALECEO NO ANNO DE 1583 MANOEL DE VASCONCELLOS SOR DO MORGADO DO ESPORÃO, DO CONSELHO DO ESTADO DELREI D. PHIPE 2.° E DO SUPREMO, QVE ASSIS / TE IVNTO A PESOA DE SVA MAG. PRESIDENTE DA CAMARÁ DA CIDADE DE LX.A REGEDOR DA IVSTIÇA DA CASA DA SVPPICAÇÃO NESTE REIN.º F.° DE IOÃO MENDES DE VASCONCELLOS, E DE D. ANA DE ATTAIDE F.A DOS PRIMEIROS CONDES DA CASTANHEIRA MANDOV RENOVAR E ORN / AR ESTA CAPELLA, NO ANO DE 1620. NELLA ESTÃO SEPVLTADAS D. LUIZA DE VILHENA SVA 1.ª MOLHER F. DE JOÃO NVNES DA CUNHA, E DE D. FHILIPA DE MENDONÇA, QVE FALECEO NO ANNO DE 1594 E D. ILLENA DE NORONHA SV A 2.ª MOLHER SRÃ. DO MORGADO DE PANCAS F. DE IOÃO DA COSTA, E DE D. INES DE NORONHA, A QVAL FES MORGADO DE TODA SVA FAZENDA E O ANEXOV AO DO ESPORÃO DEBAIXO DAS CLAVSVLAS CONDIÇÕES DE SVA INSTTTVIÇÃO, CO ENCARGO DE DVAS MISSAS COTIDIANAS, E SE HANDE DIZER NESTA CAPELLA E HVA CANTADA, NO DIA DE SEV FALM.º QVE FOI EM LX.A A 27. DE OVTVBRO DE 1619 (3) O Livro Velho dos Aniversários da Sé menciona inúmeras sepulturas góticas dispostas no chão das naves, ou cenotáfios aplicados nos alçados dos pilares. Perderam-se na sua maioria quando do nivelamento do actual pavimento. Dessas memórias fúnebres escaparam as seguintes: ANIVERSARIO POLO AR CEBPO DOM MARTINHO DOLIVEIRA Memória de mármore, de secção rectangular, com caracteres quinhentistas, embebida na parede da nave da Epístola. Tem as armas dos Oliveiras e dos Pestanas, de Évora. AQUI:JAZ:GIRAL:MARTIZ:TOS CANO :E :MOREO :E :M :III :LX :V: III ANOS :DIA :DE :SAN :MAMEDE: Inscrição gótica, de mármore, embebida no pilar sobranceiro. Tem, no eixo, o armorial dos Oliveiras, estando a lápida rebordada com 25 escudetes dos Pestanas ou Mascarenhas. SACERDOTES FU ZILADOS PELOS FRANCEZES EM 1808. L.° DOS OBI TOS DE 1814.F.51 MIHI EGO VINDICTA :RETRIBUAM. Está colocada na parede junto da porta de acesso ao coro. Esteve no chão da demolida capela de Santa Ana (colateral norte). Sepulturas do chão da nave: SE DE DOM JOÃO DE ME LLO ARCE BPO DEVORA FALECEO A 5 DAGOS TO 1574 Mármore branco. Deslocada da destruída capela da Ceia do Senhor. TRASLADADO EM 1839 ME.L SEVERIM. DE FARIA CHANTRE E C. º DASSE.DE VORA ELEGEO.PARA SI. EST.S.ASSI POR SVA DEVA CÃO.COMO POR ESTAR NELLA.O CORPO.DO PE. D. BAZILIO.DE FARIA.SEV. TI O E ANTECESSOR.Q.FALE CEO SENDO PRIOR DESTE CONVENTO A.5.DABRILDE 1625 Mármore branco. Veio do cemitério do Convento da Cartuxa. Sepulturas do cruzeiro (braço meridional). Ladeando a porta gótica do claustro, existem duas arcas de mármore, de características trecentistas, com letreiros que dizem: ANIUERSSAIRO POR SANCHA GLLZ. O rebordo da tampa está ornamentado com escudetes de três faxas (Silveiras). Pode tratar-se de parente de Maria Gonçalves da Silveira, casada com Martim Gil Silveira, alferes-mor da cidade no reinado de D. Fernando. ANIUERSSAIRO POR ME FRZ SOAZ (Soares) Na parede interior da Porta do Sol, estão dois brasões de armas medievais, de mármore, do tipo de cadeado. O da banda direita é da família Fuzeiro, gente fidalga da cidade no tempo de D. Afonso IV. O sobranceiro ao túmulo de Mestre André de Resende, é de Afonso Martins de Gorizo, parcial de rei D. João I. São as cinco aguietas de vermelho, estendidas, saneadas de negro, dispostas em sautor. A ossada de André de Resende veio do demolido Convento de S. Domingos em 1839. A arca é uma adaptação mas a tampa, de mármore branco e a primitiva do tumulado, tem moderna inscrição escrita pelo erudito Joaquim H. Cunha Rivara: L. ANDREA E RESENDII MEMORA E DICATVM. EX AEDE DOMINICANA FVNDITVS EVERSA TANTI VIRI CINERES IN PERPETVVM GRATI ANMI MONVMENTVM CVRA ET SVMPTIBVS EBORENSIVM QVIBVS DECVS PATRA E CARVM, HVC TRANSLATI AN. MDCCCXXXIX Aos pés deste moimento, outra campa singela de mármore, com letreiro do séc. XVI: ANNIVERS.º POR NVNO ROIZ No pavimento, defronte da Capela do S. Sacramento, estão sepultados os arcebispos D. Diogo de Sousa II e D. Fr. Domingos de Gusmão, em campas de mármore com inscrições quase ilegíveis: S.ª DE D. DIOGO DE SOZ.ª ARCEBISPO DE ÉVORA FILHO LEGITIMO DE FE RNÃO DE SOVSA E DE D ONA M.ª DE CASTRO, SENH OR DA V. DE GOVVEA E D.° CONSELHO DE SVA MAG.DE G.OR E CAPITÃO G.AL Q FOI DO REINO DANGOL. FALECEO A 23 DE JANEIRO DE 1678. S.ª DO ILLUS.º S.OR ARC.° DE ÉVORA D. FR.D.OS DE GVSMÃO QVE FALECEO EM 19 DE DEZ. º DE 1689 E ERA F.° DO EXM. ºS.OR D. GASPAR DE GVSMÃO DVQUE DE MEDINA SIDONIA IRMÃO DA SOBE RANA S.ª R.ª DE PORTVGAL D. LVIZA DE GVSMÃO MOLHER DO AVGVSTISSIMO REI D. JOÃO IV E PORÓ.NÃO FICASSEM PARA SEMPRE ESQUECIDOS POR HAVER ONZE ANNOS Q ESTAVÃO NESTE LOGAR TÃO HUMILHADOS OSSOS DE PRELADO TÃO ESCLARECIDO LHE MANDOV FAZER ESTA CAMPA SOBRE LHE TER FEITO HVMA MISSA QVOTIDIANA NA CONGREGAÇÃO DO ORATÓRIO DA V. DE ESTREMOS SEO IMMEDIATO SVCCESSOR O ARC.° DE ÉVORA D. FR. LVIZ DA SILVA RELIGIOSO DA SANTÍSSIMA TRINDADE E SE POS ESTA CAMPA NESTA S.ª EM 29 DE NOV.° DE 1700 COM Q SE PODE AQVI DIZER: ET EXULTA HUNT OSSA HUMILIATA. A campa, brasonada, custou 5 700 rs. O benemérito arcebispo D. Fr. Luís da Silva Teles jaz em sepultura marmórea, rasteira e armorejada, defronte da Capela das Relíquias. A inscrição está muito sumida e diz: S. DO S.OR D.FR.LVIZ DA SILVA TELLES RELIGIOZO DA S.MA TRIN DADE DA ILVSTRE FAMILIA DOS SILVAS TELLES ME. EM THEOLOGIA B.º E DEÃO DA CAPPELLA REAL DA JVNTA DOS TRÊS ESTADOS.B.º DE LA MEGO E DA GVARDA ARCEB.º DE EVO RA INSIGNE NO PVLPITO MAGNIFI CO BEMFEITOR DAS SVAS IGREJAS SINGVLAR ESMOLER PARA AS RELI GIÕES ADMIRÁVEL NA CLARIDA DE PARA OS POBRES E PERFEITO EXEMPLAR DE PRELADOS. FALECEO EM ÉVORA COM DITOZA MORTE A 13 DE JANEIRO DE 1703 AOS SETEMTA E SEIS DE SVA IDA DE. VIVERÁ P.ª SEMPRE A MEMÓRIA DAS SVAS VIRTVDES. No eixo do cruzeiro, está enterrado o arcebispo Santa Clara Brandão, em campa de mármore branco e cercadura negra, de Estremoz. D.F.JOACHIMUS.DE.S.CLARA.BRANDÃO EX.BENEDICTINA.FAMILIA IN.CONIMBRICENSI.LYCEO THEOLOGIQA E.PRIMARIA E.CATHEDRA E. AD.VITAM.SPLENDOR. OCTOGENARIUS. HUJUS.METROPOLIS.ANTISTES VIRTUTIBVS.PLENVS AD.ANNUM.RAPTVS. HIC.SITUS.EST. III.IDUS.IANUARII.AND.D.CICLCCCCCIXIX DIEM.CLAVIST.EXTREMUN. CAPELA-MOR Depois dos últimos estudos arqueológicos e críticos publicados pelo Dr. Mário Chicó e pela leitura atenta da lápida ducentista existente na Capela do S. Sacramento, admite-se com foros de absoluta fé, que a primitiva cabeceira da Catedral foi construída de raiz a instâncias do bispo D. Durando Paes (1267 f 1283) e sob protecção régia de D. Afonso III. De planta gótica e abside poligonal precedida de um tramo rectangular em cujos alçados se abriam frestas maineladas, compostas de óculos lobulados, estava ligada por estreitas aberturas aos absidíolos colaterais, dois dos quais foram completamente transformados no séc. XVIII e se salvaram outros dois - os de S. Lourenço e de N.ª S.ª da Boa Morte - ambos precedidos por arcos ogivais coevos dos fundamentos. 

A capela-mor estava, como o resto do edifício no exterior, coroada de ameias e, no soco interno, lateralmente e sotoposto ao grandioso retábulo flamengo de pintura quatrocentista, da Escola de Bruges, composta por edículas tumulares dos seus primeiros bispos, dos quais apenas se salvaram as jacentes do D. Paio (?), D. Durando e D. Fernando, que se encontram em depósito no Museu Regional. Esta primitiva cabeceira, de cinco capelas, sem charola, segundo planta conjecturai, estava filiada no tipo de S. Domingos de Elvas ou da sua congénere de Pontevedra, de que S. Francisco de Estremoz (todas com três absidíolos) seria uma redução sensivelmente coetânea mas do mesmo estilo e inspiração comum. O actual presbitério, de iniciativa do Cabido, que para o efeito havia recolhido fundos apreciáveis, entre os quais se contava o subsídio de 17 000 cruzados e 100 000 rs. do arcebispo D. Fr. Luís da Silva, é obra do patrocínio de D. João V, que, recusando os estudos e plantas feitos em 1669 pelo arquitecto João Nunes Tinoco, nomeou o arquitecto régio João Frederico Ludwig para desenhar nova construção, com o risco e grandeza que convinha ao favor real. A iniciativa alcançou pleno êxito e o trabalho, modelado na capela-mor do Convento de Mafra, mas excedendo as suas proporções e elegância, atinge volumes e escolha de materiais nobres raramente atingidos em Portugal em qualquer época. A demolição do presbitério gótico principiou em 1718 e em 1721 deu-se início ao actual sob direcção dos mestres Manuel da Cruz Matoso e Manuel Gomes Negrão, este com o título de intendente das obras. Foram assistentes capitulares os cónegos António Rosado Bravo e Sebastião de Mira Coelho. Embora estivesse terminado na fase de pedraria em 1735, os burnimentos interiores e o entalhamento dos absidíolos colaterais ultrapassaram o período previsto para a inauguração, que apenas se verificou no Domingo dia 22 de Maio de 1746, sob presidência do arcebispo D. Fr. Miguel de Távora, com singular esplendor e nas ladainhas ordenadas pelo cerimonial romano da sagração dos templos. A capela-mor compõe-se de três tramos rectangulares, além da abside semicircular, coberta por uma abóbada de berço com penetrações. De alçado de três andares, do qual só o último é iluminado por largas janelas rectilíneas, é contornada por um corredor estreito que dá acesso às escadas que comunicam com os terraços, os quais são protegidos por balcões de balaústres anelados, cilíndricos e pilastras sobrepujadas de opulentos fogaréus do estilo rocócó. Traçada no período barroco, mas impregnada do espírito classicista da ordem compósita, os materiais nela empregados foram escolhidos criteriosamente: mármores brancos e bardilhos de Estremoz, Vila Viçosa, Borba e Montes-Claros; amarelos, pretos cor-de-rosa e pedra de brunir, de Sintra e Pero Pinheiro; mosaicos verdes e pedra negra (dos portais), de Itália. As colunas e pilastras são monolíticas e atingem, de altura, 7,00 m. Os mais consagrados mestres marmoristas foram: José de Oliveira, José Correia e José Carreira (executantes dos capitéis - 1735-36) e Manuel de Abreu. António Ribeiro e Manuel Pires, fizeram os balaústres - 1724-33 - , os quais custaram, cada, 3 000 rs. Entre outros oficiais portugueses trabalharam os alemães João Baptista Monge e António Ecart e o italiano Caetano da Paz. A estatuária, que assenta em formoso entablamento com arquitrave e cornijas de mármore branco e friso cor-de-rosa pertence, na totalidade, ao escultor paduano António Bellini. Teve, como desbastador o seu compatriota Carlos Henriques Harcuria e a empreitada, dividida em duas fases, importou em 1 328 00 rs. 1.° fase - 1726-29 - execução dos Anjos que ladeiam o Crucifixo axial, e o grupo das quatro estátuas simbólicas da Caridade, Esperança, Religião e Fé. 2.ª fase - 1730-33 - lavramento do colossal frontão do arco mestre, com anjos e tabela floral relevada, e bustos de S. Pedro e S. Paulo dos portados absidais. O vultuoso e imponente Crucifixo, que corre parelho com as primeiras composições, desenhado pelo pintor Francisco Vieira Lusitano, em 1735 e esculpido pelo mestre lisbonense Manuel Dias (o Pai dos Cristos), no ano de 1736, em madeira de cedro, foi armado no sítio em Setembro de 1737. Custou 240 000 rs. O pavimento é de mosaicos de calcário não polido, de cores branca, preta, rósea e amarela distribuídos em forma de tapete. As cinco pinturas a óleo sobre tela que exornam o altar-mor, foram executadas em Roma por indicação de D. João V, na oficina de Agostinho Masucci. A este artista se deve a Assunção da Virgem, vigorosa composição datada e assinada: AUG.US MASUCCI - ROMA. F.A.1731. Importou em 700 000 rs. Os painéis laterais, ligeiramente posteriores e obra de parceria de nítidas formas académicas, onde poderia ter trabalhado Giaquinto Corrado ou ainda Lorenzo Masucci, filho do mestre, representam, ao Evangelho, a Natividade e N.ª S.ª da Conceição, e na Epístola, Adoração dos Pastores e Coroação da Virgem, os quais importaram, cada, em 270 000 rs. Foram colocados no lugar, em Setembro de 1736. As encomendas de entalhe estão, também, classificadas. São de responsabilidade do arquitecto João F. Ludwig, de seu filho João Pedro e do mestre Manuel da Cruz. O coreto do órgão e a tribuna real, sobranceira, de talha dourada, correram pelas mãos dos oficiais Manuel de Abreu, Silvestre Correia e José Carvalho e direcção de José de Andrade (1734-35). O sepulcro e o dossel, feitos em 1736-37, estiveram por conta dos entalhadores Manuel Nunes José Ferreira, Francisco Paixão, José de Sequeira e Eugênio da Fonseca. A ferragem de armação foi escolhida em Lisboa pelo mestre serralheiro Manuel Mendes. No mesmo ano se assentaram as portas de madeira de angelim, esculpidas, dos três santuários absidais. Francisco Xavier Borges lavrou em 1735, a banqueta e tocheiros do altar-mor (a actual, de madeira dourada, veio da igreja do Convento da Cartuxa e foi feita por António José Coelho em 1810). Manuel da Cruz Matoso desenhou, no mesmo período, os bancos dos capitulares, bacharéis e beneficiados, assim como a cadeira do arcebispo. As duas credencias de casquinha dourada, subsistentes, do estilo rocócó são, igualmente, desta empreitada. As grades de ferro batido, que protegem as janelas da capela, no peso total de 1144 arráteis, foram feitas em 1734 pelo serralheiro António Dias. No ano de 1735 D. João V determinou que a banqueta de prata do altar-mor se fizesse em Lisboa. Dela apenas existe a Cruz de altar, volumosa peça puncelada nesta cidade, com marcas do período de 1720-50 e as iniciais de autor: A. N. É de prata branca; imagem de Jesus, resplendor e hastes dourados. Assente numa base de quatro volutas, tem ornatos naturalistas e concheados e o emblema capitular sobrepujado pela mitra arquiepiscopal. Mede, de alto, 2,50 m. Os castiçais e muitas outras peças artísticas, incluindo 2 belíssimos candeeiros esculpidos e modelados pelo ourives Tomás Correia, com o peso bruto de 70 arrobas, foram levados para França em 1808 como consequência do imposto de guerra e saque subsequente do exército de Junot. 

Em apainelados da testeira posterior da abside gravaram-se, na língua do Lácio, as lápidas comemorativas da fundação, com esta leitura: DEI.MATRI.IN COELVM.ASSVMPTAE. SANCTIOREM.HANC.BASILICA E.PARTEM. VETERE.AVGVSTIORIS.FORMA E. SOLO.AEQVATA. REGNANT.JOANNE.V. SEDENTE.ROMA E.INNOCENTIO.XIII. SACRVM.EBORENSIVM.CANONICORVM.COLEGIVM. P. IOANNES. FREDERICVS. LVDOVISIVS. REGIUS. ARCHITECTUS. FUTURI.OPERIS.SPECIMEN. ABSOLUTISSIMUM. AD. QUARTAM. UNDEQUAQUE. PARTEM. CONTRACTUM. EX.LIGNO.EREGI.CURAVIT.M.D.CC.X.X.I. Dimensões gerais da capela-mor: comp. exterior, 23,60 m; comp. interior, 21,20 m; larg. 8,00 m. A obra geral de arquitectura importou em 120 contos de reis. CAPELAS COLATERAIS. CAPELA DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO ou do SANTO LENHO DA VERA CRUZ Ocupa o espaço da primitiva capela de S. Pedro e S. Paulo e, no seu aspecto actual, totalmente refeita nos anos de 1735-46, deve-se ao risco do arquitecto João Frederico Ludwig, que a concebeu, no estilo rocócó, simultaneamente à das Relíquias. O mestre lisbonense de escultura e ensamblamento, Francisco Xavier Borges dirigiu a empreitada de entalhe, na qual colaboraram oficiais e auxiliares limpadores de Lisboa, Évora e de outras terras do país. Os artistas são conhecidos na totalidade: Manuel Abreu do Ó, João Baptista, Silvestre Correia, Francisco Xavier da Costa, de Faro, Brás de Freitas, José Frois, António Bravo, Francisco Gomes, José Carvalho, Sebastião Abreu do Ó, João de Almeida, José Lopes, José Paixão, António Antunes, Luís João Botelho, António de Freitas e Manuel do Nascimento. Alguns destes oficiais, ulteriormente, realizaram importantes obras para as casas religiosas da cidade. Os capitéis das colunatas, do estilo coríntio, foram executados pelo entalhador eborense Manuel de Abreu, custando cada, 6 300 rs. No mesmo período lavraram o sepulcro os oficiais Manuel Nunes, José Ferreira, Francisco Paixão, José de Sequeira e Eugênio da Fonseca. O douramento integral foi realizado pelos pintores José Xavier, Francisco Pereira, Manuel Pereira e Francisco dos Reis. O assentamento dos primeiros painéis dos alçados, começou em Janeiro de 1736. A obra correu, na totalidade por conta do Cabido, verificando-se a sagração no dia 20 de Setembro de 1746, sob presidência do arcebispo D. Fr. Miguel de Távora. O santuário, reproduzindo em miniatura a fórmula da igreja dourada, está completamente forrado em delicado conjunto de talha coberta de oiro, com apainelados de largas faixas emolduradas, delimitando combinações foliáceas em predomínio de sanefas, cabeças de anjos coroados de plumas, florões em forma de girassóis, grinaldas, de chutes, palmetas, cornucópias e rosetões intervalados por pilastras envieiradas com grotescos. O tecto, de penetrações, num complexo sistema de abóbadas, tem tabelas geométricas, encaixando opulentos florões elipsóides. O altar, integrado no jogo de apainelamentos, pequeníssima capela-mor, é disposto em perspectiva, com colunelos salomónicos, vegetalistas, ainda dentro da tradição barroca. Esculpiu a porta do Sacrário, em meados de 1737, o mestre da empreitada, Francisco Xavier Borges; o móvel importou em 14 550 rs. A lanterna de suspensão, de prata lavrada e secção piriforme, com três volutas, pujantemente ornatada por grinaldas, albarradas, rosas e vieiras, é do estilo rocócó. Tem pegas de serafins. Meados do séc. XVIII. Não está marcada e tem de alt. 70 cm. Veio da igreja matriz de N.ª S.ª de Machede. Na parede do lado da Epístola e proveniente da abside ducentista de D. Durando Paes, existe embebida uma curiosa lápida marmórea, de caracteres góticos que diz: QUAM :LOCUPLETAVIT :PRAECIBUS :AEDIFICAVIT: HANC:PRA E SUL: SEDEM: DURANDUS: QUATENVS: EDEM HUNC :SUBLIMAVIT :SALVATOR :ET :INCIPIAVIT: LUTUS :ABSQUE :MORA :PLAC1TI :SIC :POSTERIORA: CERNENTES: LAPIDEM: DICANT: DEUS: HVNC: MISERERE: NOSCENTES :VERE :QUOD :VENIENT :AD :IDEM: ANNIS :MILIENIS :TER :CENTUM :BIS :QUE :DENIS: UND :DECESSIT :APRILIS :LUCE :SECUNDA: Sepultura rasteira do arcebispo D. Simão da Gama, de mármore branco, colocada no lado da Epístola, com esta letra: AQUI IAZ O ILL.MO DOM SIMÃO DA GAMA FILHO LEGITIMO DOS EXC.MOS MARQUEZES DE NIZA FOY DEPUTADO DAS TRÊS INQUISISSOES DESTE REINO SUMILHER DA CORTINA. REITOR DA UNIVERCIDADE DE COIMBRA BISPO DO AL GARVE. ARCEB.º DESTA SE DE VORA CONSELHEIRO DESTADO E GUERRA. FALECEO EM LX.ª AO V DE AGOSTO DE MDCCXV. CAPELA DE S. MANÇOS ou das RELÍQUIAS Foi, primitivamente, designada de S João e no tempo do Cardeal-Infante D. Afonso, c.ª de 1530, transformada na do S. Sacramento. No ano de 1622, sofreu vultuosa reforma e o retábulo foi montado sobre rico embasamento de mármore branco de Estremoz, sob assistência do arquitecto Pedro Álvares Moniz. A cantaria custou 13 000 rs. Como a sua congénere do S. Sacramento, foi traçada, no aspecto actual, depois de 1734, pelo arquitecto Ludwig e guarnecida pelo mesmo núcleo de escultores e entalhadores, sob responsabilidade do Cabido (sede vacante), cabendo ao arcebispo Távora a decisão da última empreitada da caixilharia, depois de 1741. A sagração verificou-se no Domingo 21 de Junho de 1747. Seis relicários, em caixas de talha esculpida e dourada, adornam os alçados do santuário, dois colateralmente ao presbitério, os mais antigos, com figuras de baixo-relevo, policromas, e quatro nas faces laterais, de grande porte, envidraçados e recobertos de serafins, palmetas e vieiras. Interiormente, dispostas em prateleiras, veneram-se muitas imagens do nosso hagiológio, desenhadas em tamanhos e formas diferentes, em maquinetas, custódias ou bustos-relicários estofados a oiro. As ferragens destes armários, feitas em 1737, custaram 2 800 rs. A lâmpada de suspensão, de prata branca, em secção piriforme, com três braços de volutas e ornatos naturalistas, é setecentista: tem punção de Guimarães e marca de ourives, de difícil leitura. Alt. 50 cm. As grades férreas, batidas e douradas, que fecham estas duas capelas absidais foram, inicialmente, concebidas para a boca da capela-mor, segundo traça do arquitecto Ludwig. Incumbiu-se da sua execução, em Lisboa, o artista de serralharia João Pereira, por contrato firmado em 1725. São exemplares de rara elegância e originalidade, concebidos na arte francesa Luís XIV, seguramente dos mais notáveis do seu tempo e género do país. Dispõem-se em dois cancelos de andares, com balaústres de arabescos, volutas e grades entrançadas, metidos em rectângulos dintelados, fixos, de friso e tímpano de três frontões engrinaldados, divididos por fogaréus. CAPELA DE S. LOURENÇO (Evangelho) Já em 1537 tinha esta designação e um painel de pintura sobre tábua, que existe, muito repintado, na Pinacoteca da Catedral. Reformada no séc. XVII, deste período são o altar e o apainelado de estuques coloridos da abóbada de meio canhão, composta por quatro caixotões ovóides presos em laçaria emoldurada a quadro central, de secção rectangular aberto nos panos axiais por tabelas semicirculares constituindo uma cruz de temático do martirológio do padroeiro. Esta última moldura tem a legenda latina: + IN: CRATICVLA. TE. DEVM. NON. NEGAVILT AD IGNEM. APPLICATVS. TE. CHRISTVM. CONPESSVS. SVM. + O retábulo, sóbrio exemplar do tipo clássico de c.ª 1625, de talha dourada, com empenas rectangulares, colunas caneladas e o terço recoberto de ornatos foliáceos, policromos, conserva, nos nichos, três esculturas de madeira estofada com merecimento artístico, nomeadamente a do titular - S. Lourenço, coeva do altar. Mede, 1,18 m. No nicho central, opulenta imagem de S. José e o Menino Jesus, peça barroca do tempo de D. João V, que mede, de alto, 1,28 m. Sto. Estevão, a última escultura, é vulgar e parece ser dos fins da centúria seiscentista. 

A maquineta do frontal de altar, aberta, ostenta um Cristo Morto, de madeira, sendo os lados e o fundo compostos pelas habituais cenas da Lamentação das Marias e Anjos segurando emblemas do Martírio, de pintura medíocre a óleo sobre tela. Leitura da lápida gótica, datada de 1310, colocada na parede do Evangelho: HIC :IACET :DONNA :CÕSTANCIA :GENERE: &: HVMILITATE :DECORA :HVIC :ECLESIE :& :PAVPR9: GRACIOSA :OBIIT :E: M :CCC :XL :VIII :II :ID9: IVNII :CVI9 ANIMA :REQVIESCAT :IN :DEO :AMEM (4) CAPELA DE N.ª S.ª DA BOA MORTE (Epístola) Crismada no séc. XVI de Jesus ou do Senhor dos Aflitos e, ainda, das Onze Mil Virgens. Foi do património do alcaide-mor da cidade no reinado de D. Fernando, Vasco Martins de Melo, que nela jaz em moimento de mármore branco apoiado em leões, na parede do Evangelho, refeito no ano de 1462, o qual substituiu o primitivo, perdido quando da obra da Sala Capitular patrocinada pelo rei D. Afonso V. Tem esta inscrição de letra gótica: ANIUERSAIRO.POR V.CO MIZ DE MELO. O onomástico actual do santuário foi-lhe posto quando da trasladação da padroeira, da igreja do Espírito Santo para este local, em concordância com o Cabido e pela muita devoção do povo eborense pela imagem, que está encerrada no seu esquife original mas despojada das inestimáveis jóias antigas, pilhadas pelos soldados franceses em Julho de 1808. Pouco mérito artístico subsiste na capela depois das infelizes reparações de 1859: o tecto, de caixotões geométricos seiscentistas, sofreu repinturas emblemáticas da Paixão, a tinta de água, certamente cobrindo composição anterior, e o altar, de talha dourada e marmoreada, com colunata torsa revestida de folhagem e friso de querubins, no frontispício, de empena interrompida, é de c.ª 1700. Conserva, porém, a primitiva escultura de Cristo Crucificado, peça de madeira, hierática, gótica, devido ao mecenato do bispo cardeal-infante D. Afonso, c.ª 1530. A maquineta de N.ª S.ª da Boa Morte ou de N.ª S.ª do Refúgio dos Pecadores, é trabalho curioso do séc. XVIII, de secção rectangular, em madeira dourada; tem o rebordo revestido de placas de prata branca, esculpida e transfurada, com ornatos naturalistas e medalhões barrocos de atributos marianos. É obra da 1.ª fase do reinado de D. João V. A imagem, delicado trabalho de cerieiro, veste ricas roupas bordadas a ouro. O sobrecéu do móvel e os lados estão revestidos de oiro fino ornatados por serafins e formosa laçaria policroma. O frontal de altar e a peanha da banqueta, pertencentes ao retábulo de Jesus, em obra de talha, estão recobertos de ornatos relevados - troncos e folhagem naturalista - e por três painéis figurados pelos emblemas da Paixão de Cristo. SALA DO CABIDO Foi mandada fazer pelo rei Afonso V, durante o episcopado de D. Vasco Perdigão, na antiga capela que servia de Audiências Capitulares, segundo um instrumento de composição datado de 1462, entre este prelado e os herdeiros do alcaide-mor Vasco Martins de Melo, que determinou a trasladação dos ossos deste cavaleiro para a parede fronteira da Capela das Onze Mil Virgens. Do primitivo santuário parecem ser os dois arcosólios (de ventanas posteriores), dispostos em arcada redonda, de meias canas graníticas, que repousam em fustes atarracados, de mármore branco: os capitéis são de crochets e de cardo, do estilo gótico primário, mas em nítidas reminiscências românicas. A sala é de planta rectangular, sendo todo o exterior de cantaria aparelhada e siglada. A cobertura, plana, feita no ano de 1635 (sede vacante), sob égide do chantre Manuel Severim de Faria, é belo trabalho de marcenaria artística, de carvalho, em caixotões octogonais e de lisonja, intervalados por opulentos florões barrocos e tendo, no eixo, as armas capitulares metidas numa tabela ovóide, dourada. Os armários que abraçam toda a sala, igualmente de madeira de carvalho, coetâneos, compõem-se de dois corpos esculpidos e divididos por pilastras estriadas e de consolas ornatadas com palmetas e óvulos. São constituídos por 17 assentos e espaldas apaineladas, da corporação eclesiástica, ou por pequenos cacifos onde se guardam os mais valiosos e antigos manuscritos do Arquivo do Cabido, que conserva documentos originais de reis, papas, bispos e arcebispos desde o ano 1200, de altíssima importância histórica e diplomática. Guarda-se na dependência uma pequena estante coral, de madeira exótica - pau-santo, angelim e teca - , com base triangular de garras de animal selvagem, e peanha ornada de três golfinhos encaixando série de discos torneados e torsos, ou de elementos naturalistas. Parece móvel da época joanina (princípios do séc. XVIII). Interessante. A LIVRARIA CAPITULAR Hoje desdobramento do Cartulário, é obra real, igualmente, do Africano, de 1462. Foi beneficiada no ano de 1561, pelo Cardeal-infante D. Henrique (data no cunhal exterior norte). De planta quadrangular, com dois tramos, tem abóbada nervurada em três veios e chave axial, redonda, fitomórfica. Curiosa escada helicoidal rematada por arqueias góticas, chanfradas e capitéis de cunha. Acusa influências mudejares. As aberturas para o exterior, de granito, são de arcos abatidos e de molduras de meia cana, sendo uma delas de arco apontado e remate de florão zoomorfo. CORO Dos mais notáveis conjuntos quinhentistas da Sé, ocupa os dois primeiros tramos da nave central e foi erguido nos alvores do séc. XVI, sob patrocínio do bispo D. Afonso de Portugal (1485-1522). Repousa em abóbada abatida e nervurada, com chaves de pedra figuradas por pinhas, búzio porcelana-eremita e outros temas tropicais influenciados pelo exotismo das navegações ultramarinas. O bocete axial (escondido pelo céu do guarda-vento), ostenta o armorial do fundador, com a mitra episcopal e pintura a fresco coetânea. É do estilo gótico-manuelino e enquadra-se no espírito arquitectónico do edifício, envolvido por capitéis de folhagem rude de cardo e de crochets e pelo trifório medieval que o próprio coro interrompeu. O cadeiral é do tempo do Cardeal-infante D. Henrique e está cronografado (de 1562 em duas filacteras de pilastra), data provável do seu acabamento, porquanto em Julho do ano seguinte o mesmo arcebispo lhe outorgou o respectivo Regimento da guarda do Coro. Trabalho de particular merecimento artístico e de encomenda directa do príncipe, esculpido no estilo da Renascença, sobre madeira de carvalho, parece ter sido inspirado em modelos rafaelescos transmitidos através da obra do flamengo Cornelius Bos, de Antuérpia, publicada no ano de 1552. Robert Smith, admitindo estas influências sugere, também, por outro lado, intervenção indirecta da escola francesa de Fontainebleau, transmitida através de publicações de estampas soltas. Desconhece-se o autor ou autores da empreitada, que se admite ser de tripla factura: flamenga, espanhola e portuguesa. De planta rectangular, com 12,35 m de comprimento e 6,80 de largura máxima e mínima de 4,30 m. (cadeiral do corpo inferior), o corpo é constituído por duas fieiras de cadeiras com coxias, de braços de volutas e pilastras estriadas, assentes em estrados de madeira, sendo 31 na galeria baixa e 43 na alta. Esta galeria, é adornada por alto espaldar composto de 22 quadros vazios (inicialmente destinados a serem preenchidos de pinturas), emoldurados e apilastrados, na ordem coríntia, onde a imaginação humana concebeu os mais belos e originais motivos decorativos da arte clássica, em baixo e alto-relevo. De realçar, o friso da cornija, de modilhões enriquecidos por bustos de profetas, apóstolos, guerreiros e virtudes sábias. Os 35 painéis das espaldas do cadeirado inferior, representando cenas agrícolas e cinegéticas dos países meridionais, entrecedidas com outras de inspiração mitológica, têm pouca originalidade, porquanto o temático, vulgar no quinhentismo, tinha raízes medievais. As mais representativas para a iconografia regional, são a vindima, matança do porco, ceifa, tosquia de gado lanar, lavoura da terra (arado puxado por parelha de bois), caçadas às lebres e coelhos, veados e animais selvagens, a pé ou a cavalo. As guardas do cadeiral superior, em número de 26, divididas por pilastras rectangulares, de alto-relevo, formam o conjunto mais variado e monumental, quer no sentido estético, quer no concepcional, onde a originalidade do classicismo, impregnado de formas pagãs e religiosas criou uma das mais belas obras de entalhe e escultura artística do sul do país. Nas três faces do cadeirado exibem-se composições da Mitologia, da Bíblia e do Agiológio Cristão, Trabalhos de Hércules, figura olímpica, os Evangelistas, as Virtudes Teologais, cenas do Apocalipse de S. João, David e Golias, Passagem do Mar Vermelho, Conversão de S. Paulo, Judith e Holofernes, Sta. Catarina, Sta. Luzia, Sta. Águeda (?), S. Domingos, S. Sebastião, Santo Bispo, a Verónica, etc. Ornatos foliáceos e frutíferos, regionais ou exóticos, de fantasia, interligados com mascarões sátiros, trofeus bélicos, cariátides, animais marinhos, aves simbólicas, monstros híbridos, Sagitários e serafins, recobrem a vasta superfície retabular. A porta do coro, delicadamente esculpida com quatro tabelas rectangulares de interpretação sacro-profana, mostra um magistrado e o símbolo da justiça terrena; sotopostos. Cristo em Oração e as Almas do Purgatório. O órgão, também de carvalho entalhado, que se ergue ao nível da tribuna do coro, ocupando o vão de um tramo gótico da nave, é peça ligeiramente posterior, concebida igualmente no estilo da Renascença clássica e feito, segundo se pensa, no tempo do arcebispo D. Teotónio de Bragança (1578-1602). Foi restaurado pelos organeiros Miguel Dias, em 1670 e Joaquim Maria Morte no ano de 1830. A caixa, presumivelmente a mais antiga do país, notável pela sua construção em dois registos, é guarnecida com sobriedade, abstraindo as pilastras, das ordens dórico-coríntia, que são figuradas em alto-relevo por trofeus, mascarões, bucrânios, aves e carteias de outros atributos e emblemas clássicos. Belíssimo, o friso das consolas do arco de triunfo sotoposto à tribuna, representado por seis brutescos cantores, másculos e de extraordinárias expressões humanas. O estilo da peça sugere a ossatura dos órgãos do Escorial. A empena, triangular, de faixa reticulada e cantiforme, com cornija muito elegante é acompanhada, nos acrotérios, por ornatos foliáceos, volutas e cruzes florentes. Actualmente, está em completa ruína. Anteriormente a este majestoso órgão, existiu outro no coro, feito em 1544 pelo organeiro de Coimbra, Heitor Lobo. No centro da dependência existe uma opulenta estante coral giratória, em pau-santo esculpido, assente em oito leões, de base quadrada, onde se vêem, em medalhões ovóides, as efígies do rei D. José e do arcebispo de Évora, Cardeal D. João Cosme da Cunha, as armas capitulares e uma albarrada. O nó, piriforme, está decorado por tabelas circulares com os bustos dos quatro Evangelistas: dos ângulos terminais esvoaçam serafins do alto-relevo. A peanha, donde rompe vultuosa imagem de N.ª S.ª das Dores, de madeira dourada, envolvida por auréola de raios alternados, é decorada por arabescos palmares e festões. É trabalho de marcenaria artística do 3.° quartel do séc. XVIII, da derradeira fase do estilo rocócó. SACRISTIA Vasta dependência de planta rectangular, com dois tramos desiguais divididos por pilastra de cantaria, é coberta com abóbada de nervuras de aresta viva, sendo o corpo da banda setentrional, mais elevado, presumivelmente do tempo do arcebispo D. José de Melo (1611-33). 

Aliás, toda a decoração de estuque, que envolve as empenas e o tecto, de tabelas geométricas, ornatos discoides, triangulares, engrinaldados por laçaria do estilo barroco, parece obra sua coetânea. Os móveis da sala são todos da grande reforma determinada pelo Cabido entre 1733-34, presidido pelo Deão Manuel Correia de Azevedo Corte Real, sendo tesoureiro-mor Cristovão Salema Correia e cónego magistral Tomé Chichorro da Gama Lobo. A empreitada, que abrangeu obra de consolidação de arquitectura, esteve a cargo dos mestres da capela-mor Manuel da Cruz Matoso e Manuel Gomes Negrão: a feitura e desenhos dos arcazes dos cálices, armários e paramenteiros, do oficial de entalhamento e carpintaria Francisco da Silva. Conjunto valioso de madeiras de casquinha provenientes da Figueira da Foz, com suas guardas, espaldas e fachos discoides, esculpidos, foi executada pelos oficiais Manuel de Abreu (que também fez os moldes dos escudos das gavetas), Francisco de Lima, José de Carvalho, José de Macedo, Francisco Gomes, João Tavares (torneiro) e os aprendizes António Correia e António do Espírito Santo. Da obra de pintura mural, realizada por José Xavier e Manuel Rodrigues (1733), e António dos Santos e Francisco Xavier de Castro (1734), subsistem vestígios, no pilar axial, de laçarias e anjos segurando dosséis flordelizados; e a do tecto do vestíbulo da cripta da capela do Esporão, ornatada ainda no estilo barroco, com brutescos, aves, grinaldas e medalhões repintados, de paisagens (estes posteriores). As pinturas expostas nas paredes, são de reduzido mérito artístico: grande tela de cabeça arredondada, de finais do seiscentismo, figurada pela Virgem e o Menino adorados por S. Bento e S. Bernardo (?), e quatro óleos de cores intensas, do período académico romano, da vida mariana, a saber: Anunciação, Adoração dos Reis, Adoração dos pastores e Circuncisão (Séc. XVIII). O portal desta dependência, arquitravado, com pilastras e dintel cravejado de mármores negros e de frontão quebrado ostenta, no eixo, as armas capitulares. Muito singelo é o portado da casa do lavabo, também de calcário branco, coevo, a qual está forrada de azulejos de figura avulsa, coetâneos, que custaram 8 119 rs. e foram encomendados em Lisboa pelo empreiteiro Manuel Borges. O paramenteiro do lado norte está sobrepujado por grande altar de madeira, com Crucifixo, obra de talha dourada mais tardia, com baldaquino adosselado, do estilo rocócó, do tempo do arcebispo D. Fr. Joaquim Xavier Botelho de Lima (1784-1800). Os batentes, puxadores e toda a obra de metais do mobiliário foram feitos pelos serralheiros Manuel Galvão, Lourenço de Carvalho, João da Silveira e António Mendes de Mendonça. Exemplar muito raro da arte mudejar é a porta da Sacristia, de dois batentes, de madeira de carvalho, decorada pela cruz gamada e pelo armorial gótico de um bispo medieval desconhecido. Conserva a pregaria martelada, original, em lisonja. Peça dos princípios do séc. XV. O relógio de caixa alta, é do séc. XVIII. Tem mostrador ricamente cinzelado, de horas, minutos e dias do ano. Assinado: Step. Rimbault-London. A caixa, de madeira laçada a ouro e vermelho sobre fundo negro, com cenas de paisagens orientais, foi completamente restaurada nos últimos anos. Sobrepujante à Sacristia existe uma vasta sala gótica, que se atinge subindo escada de caracol e presumivelmente serviria de Vestiaria na Idade Média e da casa do Tesouro. É de planta rectangular, com dois tramos, toda construída de cantaria siglada, do séc. XIV, coberta por tecto de ogivas que nascem em mísulas de ábacos pentagonais e de capitéis de folhagem rude e estilizada. Tem frestas estreitas e grande arco falso, quebrado, na face nascente. Pretende-se instalar no lugar, que é de notória dignidade de arquitectura, a secção de ourivesaria do Museu de Arte Sacra da Catedral. Guarda-se aqui, proveniente de local desconhecido, uma imagem gótica, quatrocentista, da Santíssima Trindade, de pedra de Ançã, com vestígios de pintura. Mede, de alto, 90 cm. Na VESTIARIA actual (que substituiu a do tempo do arcebispo D. Fr. Miguel de Távora, construída em 1750 e se demoliu na década de 1940 para libertação da torre sineira e do claustro), levantada nos forros da nave meridional, existe a colecção de retratos de alguns bispos e de todos os arcebispos da diocese. Série de pouco mérito artístico e iconográfico, pintada a óleo sobre tela a partir do séc. XVII reúne, do núcleo dos bispos, todos de meio corpo, os seguintes: S. Manços (1.° bispo de Évora), S. Jordão e S. Brissos (lendários); D. Pelágio, D. Sueiro e D. Durando (prelados dos fundamentos), D. Martinho Gil de Brito, o do Milagre da Cera (1372), D. Jorge da Costa (Cardeal de Alpedrinha), D. Afonso de Portugal e D. Afonso, Cardeal-Infante (1522-40). Esta colecção foi pintada na sede vacante de 1636. Arcebispos: D. Henrique, Cardeal-Rei (1540-1564 e 1575-78), D. João de Melo e Castro (1565-74), D. Teotónio de Bragança (1578-1602), D. Alexandre de Bragança (1603-1608), D. Diogo de Sousa (1610), D. José de Melo (1611-33), D. João Coutinho (1636-43), D. Diogo de Sousa 2.° (1671-78), D. Domingos de Gusmão (1678-89), retraio pintado em 1690; D. Luís da Silva Teles (1691-1703), D. Simão da Gama, (1703-15), D. Fr. Miguel de Távora (1741-59), tela pintada em Lisboa no ano de 1760, pela importância de seis moedas, segundo cópia do seu retrato existente no Convento da Graça, da mesma cidade; Cardeal D. João Cosme da Cunha (1760-83), D. Joaquim Xavier Botelho de Lima (1784-1800), D. Fr. Manuel do Cenáculo Vilas Boas (1802-14), retraio assinado e datado: H. J. da S.ª - 1814 - (Henrique José da Silva); D. Fr. Joaquim de Santa Clara Brandão (1816-18), D. Fr. Patrício da Silva, Cardeal Patriarca de Lisboa (1820-26), D. Fr. Fortunato de S. Boaventura (1832-44), D. Francisco da Mãe dos Homens Anes de Carvalho (1846-59), D. José António da Mata e Silva (1860-69), D. António Pereira Bilhano (1870-90), D. Augusto Eduardo Nunes (1891-1920) (estes dois últimos retractados pelo italiano Marini em 1886 e 1891) e D. Manuel Mendes da Conceição Santos (1921-55), - pintura de Varela Aldemira. Na sala venera-se um Crucifixo de madeira, com dramática e contorcionada imagem de Jesus, peça realista da época rocócó (3.° quartel do séc. XVIII). CLAUSTRO Foi fundado nos alvores do 2.° quartel do séc. XIV, sob responsabilidade do bispo D. Pedro IV e tendo como colaboradores, presumivelmente, membros do corpo capitular ou da nobreza eborense, pois nas chaves de abóbada dos lanços oriental e ocidental, respectivamente, existem armoriais dos Touregão, gente de algo da cidade no tempo de D. Afonso IV, e dos Baiões ou Cabrais. O mesmo escudo dos cinco crescentes dos primeiros, é visível em curioso capitel, na 1.ª arcada norte, junto da entrada para o jardim, o qual, mesmo mutilado, apresenta as características usuais na armaria medieval: cavaleiro armado de joelhos e ave simbólica de opulenta plumagem no paquife. O capitel do fuste paralelo, está ornamentado por dois animais selvagens devorando uma presa estranha.

No ano de 1814, dois lanços da quadra foram sacrificados com a construção, no seu interior, das novas salas e vestiarias dos bacharéis e beneficiados (os corpos ligados à nave meridional da igreja e os de acesso à capela de Sta. Helena), sobre a qual existia, desde 1750 e sob beneplácito do arcebispo Távora, a volumosa Vestiaria, que escondia, totalmente os alçados mestres da edificação, com natural sacrifício da cortina de ameias e destroço das originais rosáceas de pedra. A limpeza e desaferro internos, começou em 1921 promovidos pelo Grupo Pró-Évora e rematados na década de 1940, com reintegração arquitectónica, pelos Monumentos Nacionais. O claustro, que é dos mais perfeitos, grandiosos e originais espécimes de arquitectura gótica levantados em Portugal antes do Mosteiro da Batalha, com o qual está, sob vários aspectos, relacionado e de estrutura mais perfeita do que os da Abadia de Alcobaça e das Catedrais de Coimbra, Lisboa e Porto, obedeceu, nos alçados e planificação ao tipo cisterciense ducentista. É de planta quadrada, construído de silharia siglada em muitas partes, de sólidos muros coroados de ameias piramidais e robustecidos por contrafortes, a par dos quais se abrem, nos corpos mestres óculos decorados de motivos muçulmanos. "As quatro galerias que recebem luz de grandes arcos mainelados e de tímpanos abertos, que nos lados norte e sul se compõem de oito tramos quadrados e, nos outros lados de sete, incluídos os dos ângulos, são cobertas de abóbadas de silharia com nervuras torneadas, que partem de feixes de três colunas cujos fustes são de mármore. Em todas as nervuras as chaves são tangentes ao mesmo plano como nas vôutes plates francesas e, à semelhança das abóbadas do coro de São Francisco de Santarém e das colaterais da Igreja da Batalha, os arcos forais e as ogivas estão ligados por cadeias longitudinais de perfil triangular. Os capitéis - ornados de "crochets" salientes, de largas folhas dispostas em leque - , são de secção circular e têm ábacos poligonais. Outros, de maiores proporções e de decoração mais rica e original, coroam os grossos fustes a que estão adossadas as estátuas dos evangelistas. Por uma hábil compreensão do espaço, os símbolos dos evangelistas avançam até às quinas dos ábacos e, de cada lado, as folhas abrem-se e prolongam-se até tocar os ângulos das paredes" (Tavares Chicó). Gárgulas de intenção zoomorfica, de mármore e granito e friso trilobado, ininterrupto, envolvem as cimalhas do terraço o qual se atinge por quatro escadas angulares, cocleadas. Nesta varanda, subsistem duas esculturas retabulares de mármore branco, do séc. XIV, duplamente valiosas para a heráldica de domínio e iconografia religiosa. A primeira, está incrustada numa torrinha do braço sul do transepto e representa o mais arcaico escudo de armas da cidade - Geraldo Sem-Pavor, a cavalo, enquadrado numa edícula de molduras porticadas e lintel trilobado, sotoposto a duas cabeças estantes de mouros degolados. Respeita a tradição consuedudinária da conquista de Évora aos mouros em 1165 e figura neste lugar porque, na Idade Média, o Município reunia na crasta da Sé. O outro alto-relevo, que mede de alto 0,40 x larg. 0,54 ., tosca e ingénua representação de S. Martinho, subsiste embebido no muro cruzeiro, sobre a galilé da Porta do Sol. Os ângulos do claustro são decorados pelos quatro evangelistas, em agrupamentos coetâneos da escultura do pórtico da igreja, acusando uma origem comum tanto no estilo, de influências borgonhesas, como na factura, que é, embora rude, de certo realismo. São estátuas-colunas de mármore regional, com os atributos repetidos, cuja folhagem solta se liberta dos capitéis para atingir as paredes. Têm escrito, em caracteres góticos, os nomes latinos. S. Mateus, muito semelhante, nas roupagens e movimentação ao S. Paulo, do portal, tem, na base, uma simbólica figura coroada que fere o peito com uma adaga e em cuja boca prende filactera da palavra: ITARDUS. Medem, sensivelmente, de altura, 1,40 m. CAPELA DE S. PEDRO ou do FUNDADOR Construída em tempo de D. Afonso IV, nos alvores do 2.° quartel do séc. XIV pelo bispo D. Pedro, sofreu alguns enxertos na 2.ª metade de quinhentos, como obstrução de frestas pelo levantamento de dois altares clássicos, marmóreos, decorados por tábuas de pintura e frontais de azulejaria sevilhana de aresta, que os Monumentos Nacionais apearam na década de 1930. A estrutura original, austera e de nobres proporções em cantaria aparelhada e de planta quadrangular, nada sofreu, porém, nos seus volumes primitivos. É dividida por dois tramos mais amplos do que os das galerias do claustro, com abóbada de ogivas que assenta em pilares de arcos terçados, de grande diâmetro, estes de perfis rectangulares e aquelas de arestas chanfradas. Capitéis decorados por folhagem tosca, estilizada e modilhões antropomórficos e ábacos poligonais. É iluminada por quatro frestas esguias, de mainéis góticos rematados de lunetas singelas. 

O núcleo de escultura da capela, de mármore branco de Estremoz, com características da mesma centúria, exceptuando a Virgem e o Menino, pertenceu desde a origem ao santuário. Conservam, algumas, vestígios da pintura medieval. A peça principal, colocada no eixo da sala, é o sarcófago do bispo D. Pedro IV (1321-40) De serena e bem modelada estátua jacente, com panejamentos sobriamente repregados, tem a cabeça amparada por dois anjos a cujos pés, no espelho exterior da tampa, se lavrou o armorial de família do tumulado, a cruz de veiros dos Argoles de Espanha. A caixa (que repousa em dois grosseiros leões), do tipo de edícula larga, está esculpida nas duas faces laterais pelos Apóstolos, de seis encasamentos por banda e proporções atarracadas, metidos em nichos ornados de arcos trilobados, góticos, separados por gabletes que terminam em agulhas e, na cabeceira, pela Crucifixão, de certo amaneiramento e hieratismo. O topo posterior, representado pelos símbolos dos evangelistas e Cristo entronizado na amêndoa mística, lavrado ao gosto caligráfico dos livros iluminados com pouco relevo, é composição delicada e invulgar. A imagem de S. Pedro, precioso espécime que figurou na Exposição de Arte Portuguesa em Londres, realizada na Royal Academy of Arts, em 1955, mede, de alt. 1,35 m. Nos panos norte-sul subsistem as esculturas de N.ª S.ª do Ó (alt. 64 cm) e o Anjo S. Gabriel (alt. 1,00 m), de menores dimensões e de tratamento mais tosco e ingénuo. Finalmente a Virgem e o Menino, de igual modo peça gótica da 1.ª metade de trezentos e proveniente de lugar indeterminado da Catedral e que poderá representar a primitiva Santa Maria de Évora, retirada do altar-mor quando da montagem do retábulo flamengo de pintura, está mais próxima, no estilo dos panejamentos e na composição, ao agrupamento escultórico conimbricense. Tem, de alto, 1,30 m. Delicada e original na nossa escultura monumental é a mísula sotoposta, figurada por dois anjos ajoelhados, de cabeça erguida e abençoando o observador, que recordam as figuras aladas do lintel da porta central do Pórtico da Glória, da Catedral de Santiago de Compostela. Proveniente de sítio indeterminado, hoje no chão, lê-se a lápida gótica, marmórea, datada de 1340, alusiva aos fundamentos da crasta e feita à ordem de Martim Ortiz, criado do bispo D. Pedro: E :M :CCC :LXX :VIII ANOS :SABADO :PM : EIRO:DIA:DE IVLHO:PASOV:DOM:P.°:BPO: DEVORA :ELLTO :Q :FOI :DE :CONCA :O :QVAL: FOI :BPO :XVII ANOS: & :X :MESES :& :VUI :DI: AS:&:FVNDOV:ESTA:CRASTA:&:MANDO: V :FAZER :ESTA :CAPELA :& :ESTE :MVIMTO: EN :Q :IAZ :ENTERRADO :AO :QVAL :BPO :DE. VS:PERDOE:&:RECEBA:A:SVA:ALMA:CON:O. S:SEVS:SANTOS:NA:GLIA:DO:PARAI. SO :AME :ESTA :ERA :MADOV :POER: MAR: TIN :ORTIZ :CRIADO :DO :BISP.DOM :P.º As arcadas do claustro eram decoradas por bandeiras e grilhagens góticas, de pedra, destruídas em época imprecisa. Seus vestígios são evidentes, em cruzaria trilobada, no ângulo meridional. Num dos tramos da parede mestra, do lado norte, existe o escudo estucado do bispo D. Afonso de Portugal (1485-1522). As escadas de granito, desta mesma ala, pertencem à empreitada de 1735 (sede vacante). Metida na parede ocidental vê-se a lápida de mármore, restaurada, do bispo godo Juliano, que pertenceu a Mestre André de Resende: JVLIANVS / FAMVLVS / XPI / EPISCOPVS / ECCLESI / EBORENSIS/ H.SITVS EST/VIX ANN./PLVS MINVS LXX./REQ.IN. PACE.KAL.DECEB/ ERA.DCIIII./ EX. MUSEO RESENDIANO / TRASLATUM. A. DN. MDCCCCXI/ S.M.R.C. Sepulturas rasteiras: nesta ala, aos pés dos degraus da escada: ANIV.RO POR CATERINA TOME (letra do séc. XVI). À entrada da capela do Fundador, túmulo de mármore, toscamente esculpido, de armas bipartidas, representado por estrelas e as 3 fachas dos Mascarenhas ou Pestanas, rebordado por inscrição gótica ilegível. Séc. XV. Guardam-se, no lugar, duas pedras de armas, de granito, góticas, do bispo D. Afonso de Portugal e da família Castro, esta de bocete da destruída capela tumular dos capitães-mores da cidade. PINACOTECA Ocupa toda a galeria superior da nave colateral esquerda, convenientemente restaurada para o efeito pela Direcção dos Monumentos Nacionais e a integrar no futuro Museu de Arte Sacra da Sé. Compõe-se de painéis quinhentistas, de estilos e épocas vários e de autores classificados uns anónimos outros e ainda de alguns com atribuições verosímeis. 

Distribuem-se pela seguinte ordem de valor artístico e cronológico: Atribuídos a Gregório Lopes - ciclo de 1531-40 1.° - Milagre de Ressurreição do mancebo. Tábua de carvalho: Dim.: alt. 263 cm x larg. 164 cm. Restaurado por Fernando Mardel em 1940. Esteve longos anos, na capela de Sta. Helena, anexa ao claustro (demolida). 2.º - S. Pedro. Alt. 150,5 cm x larg. 107,5 cm 3.° - S. Paulo. Alt. 1,40. x larg. 108,5 cm. Pertenciam ao agrupamento do Exalçamento da Santa Cruz que, juntamente aos quatro quadros a seguir mencionados, formavam um retábulo e maquineta-relicário onde se guardava o Santo Lenho da Vera Cruz, desde o tempo do Cardeal-Infante D. Henrique, na capela absidiolar desta crismação. As molduras, de madeira de tremidos, que protegem alguns destes quadros, foram mandadas fazer c.ª de 1880 pelo cónego Alfredo César de Oliveira. 4.° - O Imperador Heráclio, triunfante, com a Cruz. Alt. 95 x larg. 109 cm (tábua da frente). 5.° - Encontro do Patriarca Zacarias com Heráclio. Alt. 95 x 108 cm (tábua posterior). 6.° - Heráclio despoja-se das vestes imperiais. Alt. 98 x 55 cm. 7.° - Entrada em Jerusalém do Imperador Heráclio. Alt. 96 x larg. 53 cm (tábuas laterais). (Ciclo de 1540-50) 8.° - Oração de Santana e S. Joaquim. Alt. 188,5 x larg. 81,5 cm. 9.° - Nascimento da Virgem. Alt. 188,5 x larg. 40,7 cm. 10.° - Apresentação da Virgem no Templo. Alt. 188,5 x larg. 40,7 cm. Este núcleo, de que o primeiro painel constituía a parte central, formava, com as abas laterais um triplico que em época indeterminada se formou em dois quadros. (Ciclo de 1541-50) 11.° - Martírio das Onze Mil Virgens. Alt. 106 x larg. 77 cm. Atribuídos à parceria dos Mestres de Ferreirim - Cristovão de Figueiredo - Garcia Fernandes (Ciclo de 1531-40) 12.° - S. Manços. Alt. 204 x larg. 151 cm. 13.° - S. Miguel. Alt. 202 x larg. 148 cm. 14.° - S. Brás. Alt. 206 x larg. 150 cm. 15.° - S. Sebastião. Alt. 206 x larg. 150 cm. A disposição destes retábulos, muito original na iconografia portuguesa, é figurada pelo padroeiro metido em pórtico axial, da ordem dórica e lateralmente, em edículas, pelos bustos de outros santos do agiológio lusitano, a saber: S. MANÇOS (Santa Marta, S. Ivo, Santo Antão, S. Vicente, Santa Sabina e Santa Cristeta, mártires de Évora); S. MIGUEL (S. Gregário, S. Jerónimo, Santo Ildefonso, S. Tiago, S. Francisco e Santo António); S. SEBASTIÃO (S. Nicolau, S. Geraldo, S. Maninho, Santo Estevão, S. Vicente e S. Bernardo); S. BRÁS (Santa Catarina, Santa Apolónia, Santa Inês, Santa Luzia, Santa Maria Madalena e Santa Bárbara). (Ciclo maneirista - 2.ª metade do séc. XVI) 16.° - S. Lourenço. Alt. 1,36xlarg. 107 cm. Pertenceu, ao que se presume, ao primitivo altar do mesmo título, da cabeceira da Catedral. 17.° - S. João Baptista. Alt. 148 x larg. 53 cm. 18.° - S. João Evangelista. Mesmas dimensões. Díptico de autor desconhecido, de c.ª 1560. 19.° - Adoração dos Magos. Alt. 175 x larg. 138 cm. 20.° - Ceia de Cristo. Alt. 172 x larg. 136 cm. 21.° - Cristo descido da Cruz. Alt. 180 x larg. 140 cm. 22.° - S. Amaro, S. Bento e S. Romão. Alt. 160 x larg. 135 cm. 23.° - Baptismo de Cristo. Alt. 155 x larg. 152 cm 24.° - Mártires de Évora - S. Vicente, Santa Sabina e Santa Cristeta e Santo António de Lisboa: Alt. 170 x larg. 135 cm. 25.° - Santana e a Virgem. Alt. 155 x larg. 140 cm. (Esta pintura está brasonada com o armorial do arcebispo D. João de Melo e Castro, que governou a diocese de 1564 a 1574). Os painéis indicados nos números 19, 22, 23 e 25 foram atribuídos pelo prof. Martim Sória ao pintor eborense Francisco de Campos, c.ª de 1560-70, sendo os restantes agrupáveis ao maneirismo de Antuérpia. Estiveram, todos, desde o tempo do are. D. José de Melo (1611-33), nas capelas laterais das naves, compostas nos últimos anos da mesma centúria com obra de talha barroca mandada fazer por D. Fr. Luís da Silva e destruída na década de 1940). O Tesouro da Catedral é constituído por inúmeras alfaias religiosas de valor artístico variável, nomeadamente do séc. XVI, dispostas as mais belas e antigas no actual Museu de Arte Sacra e as restantes, guardadas em cofre até haver possibilidade da sua exposição permanente. Destacam-se as seguintes (as peças precedidas do asterisco encontram-se ao apreço público, em vitrina especialmente armada na Sala Capitular): *CRUZ DO SANTO LENHO - Dádiva do bispo D. Luís Pires, em 1468, já entronizado arcebispo de Braga, fez parte, como dizem as crónicas coetâneas, da venerável relíquia da Vera Cruz de Marmelar, que esteve na Batalha do Salado empunhada pelo Prior da Ordem do Hospital D. Álvaro Gonçalves Pereira, avô do Condestável D. Nuno Álvares. Veio para Portugal no séc. XIII, trazida pelo prior da mesma milícia, D. Afonso Pires Farinha e com destino à Sé, mas quando da sua oferta encontrava-se na ermida da Vera Cruz de Évora, sita nas Portas da Lagoa. No aspecto actual pertence à generosidade do arcebispo D. Fr. Luís da Silva Teles, que a enriqueceu com jóias deixadas para o efeito por prelados antecessores, nomeadamente por D. Domingos de Gusmão, cunhado de D. João IV. Trabalho de ourivesaria do estilo barroco, foi feito na década de 1690-1700, seguramente em Lisboa e é revestido de 1426 pedras preciosas distribuídas desta maneira: 840 diamantes rosa, 402 rubis, 180 esmeraldas, 2 safiras, 1 jacinto oriental e 1 camafeu de ágata esculpido com o Ecce Homo, de baixo-relevo, que se presume ter sido oferecido pelo arcebispo doador que, na face posterior mandou gravar o seu armorial envolvido por grinalda de 19 diamantes. A moldura da cruz propriamente dita é de oiro, estando toda a composição, de prata dourada, revestida de esmaltes policromos de admirável efeito decorativo. Repousa, o relicário, que é de base quadrangular, em quatro ternos de querubins de prata dourada. A jóia foi avaliada no ano de 1703, em 30 000 cruzados, mas no seu lavramento artístico aplicou o doador, a importância de 20 000 cruzados e 384 653 rs. que correspondiam, na época, a esc.: 8 384 653. Alt. total: 510 mm: maior largura da base, com os pés, 250 mm. * VIRGEM DO PARAÍSO - Veio do demolido convento domínico deste nome após a extinção da comunidade e sua pertença desde 1474, segundo oferta da nobre dama eborense Isabel Afonso. É uma notável peça de escultura de marfim, do estilo gótico francês das primícias do séc. XIV, representada pela Virgem e o Menino, sentada, aberta em triplico e constituída por dez encasamentos ediculares da iconografia mariana assim distribuídos: (aba da esquerda, de baixo para cima) - Anunciação, Ascensão de Cristo, e a Assunção; (ao centro, pela mesma ordem) - Nascimento da Virgem e o Nascimento de Jesus, Morte da Virgem e Coroação; (aba da direita) - Adoração dos Magos, Descida do Espírito Santo e a Visitação. 

No assento do dossel, entre pináculos anelados, existe miniatural escultura, também ebúrnea, de figura religiosa, talvez de um Profeta. A cabeça da Virgem, ao que parece, destruída no séc. XVI por incêndio do altar onde a imagem se venerava, foi substituída pela actual, de madeira. A peanha, também posterior e de madeira com capa de prata branca, tem gravados os símbolos mariais, do Sol e da Lua e a inscrição AVE MARIA. As cenas conservam, ainda, vestígios da primitiva coloração medieval. Alt. 40,5 cm. *CUSTÓDIA-CALIX - Formosa peça de ourivesaria híbrida, gótica-plateresca, de prata dourada, do tempo do bispo-infante D. Afonso, filho do rei D. Manuel (1522-1540). Assenta numa base de gomos revestidos com as imagens da Virgem e o Menino, S. Bartolomeu, S. Francisco de Assis, Santa Luzia, Santa Inês e Santa Catarina. O pé, clausteado, é posterior. A copa tem seis figuras de baixo-relevo, representando Profetas, os quais estão intervalados por balaústres de tintinábulas. A custódia propriamente dita repousa em disco de ornatos platerescos, naturalistas, divididos em mísulas. A parte média é constituída por edícula quadrilobada (de ostensório ulterior), em cujos pilares, rematados por coruchéus e de baldaquinos, se vêm Santa Bárbara, Santa Agueda, S. Brás e outro santo padre. Sobrepujante, cúpula sustentada por arcarias góticas e cruz terminal de tipo tudesco. Alt. 780 mm. Larg. da base, 250 mm. *BÁCULO - De prata dourada; nó gótico em dois corpos hexagonais sobrepostos, de arcadas geminadas, estando ambos ornamentados por figuras do Velho e Novo Testamento, estantes no superior e sentados no sotoposto. Voluta delicadamente cinzelada de cabuchões e pedras coloridas engastadas; no eixo da crossa, imagem da Virgem Maria. Trabalho português da 1.ª metade do século XVI. Doação de um Cardeal-Infante à Catedral: D. Afonso ou D. Henrique, respectivamente último bispo e primeiro arcebispo da diocese. Alt. 545 mm (sem a haste). *CRUZ ARQUIEPISCOPAL - De prata dourada, esculpida em baixo e alto-relevos com temas clássicos. Na cruz, atributos dos evangelistas e na base, de secção circular, em forma de urna, quatro bustos de Profetas coroados e segurando filacteras renascentistas de legendas latinas muito sumidas. Parece que neste lugar havia a data de factura. C.ª de 1550. Alt. 56 cm. Haste de sete canudos de prata branca, martelada, barroca, dos começos do séc. XVII. *CRUZ DE ALTAR - De prata dourada. Base octogonal, de alvéolos e a inscrição: ESTA + OFERECEO O DOVTOR RVI LOPES DE CARVALHO CONEGO NESTA SE DEVORA ERA DE 1540. A peanha, gomeada, tem esculpidas as imagens da Virgem e S. João e entre colunas presos a laçaria envieirada escudetes do doador e das Chagas de Cristo. Cruz de tipo tudesco, em nó esgalhado. Trabalho português da Renascença. Alt. 35 cm. *CRUZ DE ALTAR - De prata dourada. Trabalho português do estilo Renascença. Época do Cardeal D. Henrique. Alt. 60 cm. CIBÓRIO - De prata dourada, ornamentado com grinaldas renascentistas gravadas. Forma esférica e nó de urna. Datado: 1544. Alt. 45 cm. Diâm. do bojo, 18 cm. *CUSTÓDIA - De prata dourada. Delicada peça portuguesa da Renascença, de c.ª 1550, de base em octógono irregular revestida de óvulos; nó em forma de urna, de ornatos gravados. Ostensório ladeado de pilastras e colunas amparadas por máscaras. Tímpano envieirado, envolvido com volutas de animais fantásticos. Nos acrotérios, imagens da Virgem e S. João Evangelista. Alt. 43 cm. *MAÇA DE CERIMÓNIAS - De prata branca. Peça portuguesa da Renascença, c.ª de 1560. Alt. 70 cm. *CÁLICE - De ouro cinzelado e de esmaltes policromos. Peça do estilo barroco italiano. Copa inferiormente ornada de seis medalhões ovóides representando Passos da Paixão, em relevo: Jesus ajudado pelo Cireneu a levar a Cruz, Jesus despojado das suas vestes, Jesus pregado na Cruz, A morte de Jesus, A deposição e Piedade. Intervalando os medalhões vêem-se anjos de braços estendidos e sobrepujantes, serafins. O nó, hexágono, tem seis baixos-relevos, também do temático da Paixão, separados por quartelas que representam: A Ceia, Oração no Horto, Prisão de Jesus, Flagelação, Coroação de espinhos e Ecce Homo. A base é dividida em seis gomos relevados, com as figuras dos Profetas Elias e Moisés e pelos quatro Evangelistas. A ornamentação é primorosamente esmaltada. No reverso da base, armorejada e cronografada, existe a legenda do cónego doador Paulo Afonso - 1587: DOCT.PAULUS. ALPHONSUS REG.CONSILIARIUS IN ECCLIA EBORENSIS ARCHIDI.ET CANONICUS DO-NAUIT - ANNO DNI 1587. A patena, também de ouro tem, no eixo, a mesa do altar ocupada pelo Cordeiro Místico, encimada pela cruz, de cujos braços pendem as letras apocalípticas: Alfa e Omega. Orlando o rebordo, estrofe latina. Características: Alt. 33 cm; diâm. da copa, 13 cm; diâm. da base, 17 cm. Peso total, incluindo a patena, 3,150 kg. Custou 2 200 cruzados. CUSTODIA-CÁLICE - De prata dourada, lisa. Pórtico de colunelos anelados, cúpula esférica e base circular. Peça portuguesa do estilo barroco. C. ª de 1590. Alt. 60 cm. BÁCULO - De prata dourada, com crossa de voluta e rosetão de oito pétalas relevadas. Haste de cinco canudos levemente cinzelados. Peça port. de c.ª 1600. Alt. 1,85 m. CÁLICE - De prata dourada. Peça clássica do último quartel do séc. XVI. Base cilíndrica, de ornatos florais, esculpidos: nó de gravados barrocos. Alt. 26 cm. CRUZ, relicário de SANTO LENHO e outras relíquias, de prata branca, esculpido com ornatos barrocos. Base rectangular, em forma de uma e disco ovóide. Oferta à Catedral em Dez. de 1962 pela senhora D. Maria Inácia Fernandes Homem. Alt. 37 cm. Larg. na base, 18 cm. Peça portuguesa do 1.° terço do séc. XVII. CRUZ DE ALTAR - De prata branca, lisa. Base rectangular e Cristo de relevo. Séc. XVII. Alt. 22 cm. RELICÁRIO DE S. MANÇOS - Prata dourada e secção piramidal, truncada, com leves toques de cinzel e remate de globo celeste sobrepujado por cruz lisa. O osso do braço do 1.° bispo de Évora rompe de uma peanha circular, lavrada, com chão finamente cinzelado. Peça da última década de 1590, oferecida à Sé pelo arcebispo D. Teotónio de Bragança. Alt. 44 cm. RELICÁRIO - De prata dourada e secção circular, constituído por pórtico de quatro colunas clássicas. Remate de coronel lavrado com fogaréus. A relíquia está encerrada em coluna poligonal de cristal da rocha. Peça port. da 2.ª metade do séc. XVI. Alt. 20 cm. RELICÁRIO - De prata dourada, base circular com folhagem gravada. Nó e cúpula de cabuchões com pedras antigas (minas novas): pórtico de duplos colunelos estriados, enquadrando dois tubos de cristal contendo relíquias de santos. Estilo barroco. Princípios do séc. XVII. Alt. 50 cm. ARQUETA-RELICÁRIO - De prata branca, lavrada, de forma rectangular, com ornamentos canelados. Peça port. dos alvores do séc. XVII. Comp. 21 cm. PÍXIDE - De prata dourada, lisa, com brasão do arcebispo D. Fr. Domingos de Gusmão (1678-89). Alt. 20 cm. SALVA - De prata batida, com ornatos barrocos. 1.ª metade do séc. XVII. Diâm. 17 cm. VÁSULOS DOS SANTOS ÓLEOS - De prata branca, lisos, de bojo cilíndrico, piriforme. Existem dois jogos de três peças. Séc. XVII. Os maiores medem, de alt. 36 cm. RETÁBULO DA BEATA COLETA - Pinturinha a óleo sobre cobre com moldura de prata branca, rectangular e ornamentos gravados, naturalistas. Art. port. do séc. XVII. Alt. 20 cm. CUSTÓDIA DO CORPO DE DEUS - Prata dourada, do estilo barroco. Está armorejada na base. Escudo do arcebispo D. Fr. Luís da Silva, que a mandou fazer em Lisboa c.ª de 1695. Custou 104 850 rs. Alt. 50 cm. CUSTÓDIA - De prata dourada e cinzelada, revestida de serafins, vieiras e símbolos da Eucaristia. Base quadrifoliada. Estilo rocócó - D. José- D. Maria I. Alt. 52 cm. *CALDEIRINHA - De prata branca e secção redonda, com ornatos barrocos, 1.ª metade do séc. XVII. Alt. 12 cm. MITRA - De prata branca, cravejada de pedras coloridas em cabuchões. Ornatos naturalistas, herbáceos, ao gosto barroco. Princípios do séc. XVIII (pertence à escultura de Santo Agostinho). Alt. 34 cm RELICÁRIO - de prata branca e dourada, de base quadrangular. Peça barroca do séc. XVII. Alt. 17 cm. RELICÁRIO DE SANTO ANDRÉ AVELINO - Prata branca, cinzelado, com ornatos túrgidos, florais e armorial do arcebispo D. Fr. Joaquim Xavier Botelho de Lima (1784-1800). Peça port. do estilo rocócó. Alt. 65 cm. CANDELA - De prata branca, lisa e cabo lavrado em secção circular. Punções de Évora: ourives - Francisco Xavier Calado (1769). Comp. 29 cm. *PORTA PAZ, CÁLICE e dois VASOS DOS SANTOS ÓLEOS - De prata dourada. Núcleo de ourivesaria italiana do estilo rocócó, meados do séc. XVIII, que pertenceu ao arcebispo de Tessalonica D. Fr. Inácio de S. Caetano, confessor da Rainha D. Maria I. Foi adquirido pelo arcebispo Botelho de Lima. Estão brasonados. O porta paz tem marcas: MA. e é representado pela Piedade. Alt. 20 cm. Dim. das outras peças: Cálice, 27 cm. Vasos, piriformes, alt. 9 cm. PÍXIDE - de prata dourada e base romboide, com florões e ornamentos da Sagrada Escritura. Punções do Porto (1792-1810). Alt. 32 cm. PÍXIDE - de prata dourada e base romboide. Ornatos naturalistas. Estilo rocócó. Punções do Porto (1765-92) e marca de ourives ilegível. Alt. 13 cm. PÍXIDE DO CONVENTO DO ESPINHEIRO - Prata branca e dourada. Peça port. do estilo rocócó (época de D. José). Tampa interiormente decorada com o Espírito Santo. Alt. 33 cm. SALVA - de prata branca, com orla recortada e ornamentos naturalistas e de gravadinho. No centro, escudo de armas do capitão-mor Francisco Jácome Ferreira de Carvalho. Punções do Porto (l 768-92): ourives PP. Diâm. 66 cm. BACIA DE LAVA-PÉS DA SEMANA SANTA - Prata branca, lisa. Estilo português do último quartel do séc. XVIII. Tem, no eixo, as armas esquarteladas do mesmo capitão-mor de Évora. Diâm. 50 cm. NAVETA - de prata branca, lavrada, com ornatos flóricos. Corpo axial de vieira estilizada. Estilo rocócó italiano. C.ª de 1750. Comp. 20 cm. CÁLICE - de prata dourada e base romboide, profusamente ornamentado com querubins e temática. floral de baixo-relevo. Arte port. da época de D. João V. Alt. 30 cm. VASO DA CERIMÓNIA DAS CINZAS - de prata branca, repuxada, de ornatos vegetalistas. Forma piriforme. Peça port. sem marcas, da época de D. José. Diâm. do bocal, 7 cm. URNA - de prata branca, esculpida, de base rectangular apilastrada e de volutas revestidas de temas florais e serafins. No tampo, o Cordeiro Místico. Punções de Évora e contraste do ourives F. Xavier Calado (1767). Estilo rocócó. Alt. 74 cm. GALHETEIRO - de prata branca e salva, lisos, esta de secção ovalada. Marcas: Lisboa, último quartel do séc. XVIII. Ourives: TAS. Dim.: salva, comp. 23 cm. Galhetas, alt. 13 cm. CRUZ PROCESSIONAL - de prata dourada e cinzelada, com cabeças de querubins e profusa ornamentação rocócó, em alto-relevo. Haste de seis canudos singelamente cinzelados. Art. port. da 2.ª metade do séc. XVIII. Alt. 1,05 cm (sem haste). *CÁLICE - de prata dourada. Estilo rocócó (época de D. João V). Base romboide ornada de querubins aos pares. Alt. 27,5 cm. PORTA COELI - de prata branca, transfurada. Trabalho port. de transição barroco-rocócó. Séc. XVIII. Alt. 63 x larg. 37 cm. CRUZ PROCESSIONAL - de prata branca, trabalhada e imagem de Jesus dourado. Peça arcaizante. Porto (1818-36), ourives: FG. Alt. 1,10 cm. Haste singela de 5 canudos de prata. GOMIL E LAVANDA - prata branca, de canduras. Estilo neoclássico (D. Maria I). Lisboa (1792-1810). Ourives: FG. Alt. do gomil, 22 cm. Comp. da lavanda, 46 cm. PAR DE LANTERNAS - de prata branca. Arte port. arcaizante. Inícios do séc. XIX. Alt. 1,10 cm TURÍBULO - de prata branca, piriforme. Estilo rocócó (2.ª metade do séc. XVIII). Alt. 25 cm. Existem vários na colecção. CÁLICE - de prata dourada e base romboide, com temas aplicados dos símbolos do Martírio de Cristo. Punções do Porto (1810-18). Alt. 30 cm. Na vitrina do Tesouro guarda-se precioso par de canudos de porcelana oriental (China), polícromos, do séc. XVIII. Pertencem ao altar de N.ª S.ª do Anjo. Alt. 62 cm. Raros, mas restaurados. PARAMENTARIA DOSSEL - de veludo carmezim, ricamente bordado a matiz e fio de ouro, representando folhagem e flores. Notável peça dos fins do séc. XVI. Arte oriental (Pérsia?). Pertenceu ao Convento de S. Bento de Avis. Foi reconstruído como dossel no ano de 1887. CASULA, ESTOLA e MANÍPULO - de brocatel bordados a oiro e matiz sobre veludo vermelho. Conjunto raro do último quartel do séc. XVI. Na casula, sebasto de ornato barroco, ovóide, figurado por N.ª S.ª da Scala Coeli, emblema do arcebispo D. Teotónio de Bragança. Arte italiana? (Estas duas últimas peças figuraram nas Exposições de Arte Ornamental portuguesa e espanhola, de Londres e Lisboa, de 1881-82, e na Exposição Histórica-Europeia de Madrid, em 1893, comemorativa do 4.° Centenário do Descobrimento da América). MITRA - de seda branca bordada a oiro com ornatos alcachofrados. Séc. XVI. CASULA - de seda branca, com figuras, anjos, aves e flores pintados. Arte oriental. Séc. XVII. PANO DE ESTANTE - de lhama de oiro, ornatado por florões, albarradas e sebasto bordado, com temas naturalistas e carteia de monograma mariano. Flocos de veludo vermelho. Séc. XVII. PÁLIO - de seda pintada, de ornatos naturalistas, predominando as rosas, cravos e folhagem. (Séc. XVIII). Diz a tradição que foi decorado por um monge do Convento do Espinheiro, comunidade donde veio provavelmente em 1834. OS PONTIFICAIS - de tela de prata e tisso, de tela encarnada bordados a oiro, são trabalhos de proveniência romana e foram encomendados pela Rainha D. Maria I c.ª de 1780 para o seu confessor D. Fr. Inácio de S. Caetano, bispo de Penafiel e arcebispo de Tessalónia, cujas armas conserva. Por morte deste prelado em 1782, que os não chegou a usar, foram adquiridos pelo arcebispo de Évora, Botelho de Lima (1784-1800). Algumas das peças têm o armorial dos Melos. DOIS TERNOS - de paramentos de tela vermelha, setecentistas, bordados a oiro, que pertenceram aos extintos Conventos da Ordem de Avis e das Maltezas de Estremoz. Algumas BOLSAS DE CORPORAIS, de brocatel bordadas a oiro e matiz, tendo uma o armorial do arcebispo D. Simão da Gama (1703-15). PANO DE FALDISTÓRIO - de seda vermelha bordado a oiro, com as armas de um D. Prior do Convento de Avis. 2.ª metade do séc. XVIII (quartéis dos Noronhas, Meneses e Coutinhos). Núcleo de seis MITRAS ARQUIEPISCOPAIS - tecidas e bordadas a oiro e recobertas de cabuchões e pedras de fantasia. Minas novas e crisólitas. Séc. XVIII. PARAMENTO DO TRIBUNAL DO SANTO OFÍCIO DE ÉVORA - de damasco vermelho bordado a oiro. Séc. XVII (Está marcado). PARAMENTO DE DAMASCO VERMELHO - e brocatel de lhama, de oiro tisso e matiz. Tecido de influência oriental. Séc. XVIII. PANO DE PÚLPITO - de brocatel roxo, amarelo e verde, com galão e franja de oiro. Trabalho português do séc. XVIII. Existe, ainda, na Sé, o paramento completo, em mau estado de conservação. FRONTAL - de seda vermelha bordada a oiro, com a cruz e resplendor no centro. Arte peninsular dos princípios do séc. XVII. Núcleo de 8 FRONTAIS, de dois ternos distintos, um de brocatel encarnado, do séc. XVII, e outro de seda branca e brocado (séc. XVIII). VÉU - estampado, de seda branca, com a Bula da Santa Cruzada, 1746. Existem, ainda, muitos outros tecidos bordados a oiro e prata, dos sécs. XVII-XVIII, nomeadamente desta centúria (alguns provenientes dos abolidos conventos diocesanos). Série de quatro Missais Romanos, impressos em Roma e Antuérpia, em 1701 e 1735, forrados de veludo vermelho, com guarnições e cantos de prata branca, rendilhada, nas duas faces e com armoriais do arcebispo D. Simão da Gama. 

Um deles é moderno, aproveitando-se na encadernação as aplicações de prata assim como outro, de carneira encarnada e ferros dourados. Medem entre 32 x 28 cm e 41 x 28 cm. PONTIFICAL DO CONVENTO DE AVIS - Livro de pergaminho iluminado, com forro de veludo vermelho, feito por Diogo de S. Romão em 1570, em vontade do prior António Barreiros. Conserva aplicações de prata arrendada e escudos da Ordem. Este trabalho, barroco, é do séc. XVII. Alt. 36 x 26 cm. Alguns dos sinos da Sé, todos de bronze fundido, são muito importantes: existem dois góticos - um de 1294, do bispado de D. Pedro III e outro de trezentos, não datado; dois quinhentistas e o famoso sino de N.ª S.ª do Anjo, sagrado no dia 9 de Março de 1701 pelo bispo de Missónia D. Fr. Domingos Barata. Os restantes cinco são vulgares. Têm as características e legendas seguintes. Olhais do nascente: Sino das horas. Inscrição gótica em duas linhas: VENI :CREATOR :SPIRIT:METES: TVOR :VISIT :IMPLE :SVP(ER)NA :GRAT(I) :Q :TV: CREASTLPECTORA: HOC:SIGNV:FECIT:DÕMO: PETSEPÕ:ELBORËN: E: M: CCC:XXX:II Sino dos quartos: Efígie esculpida: PERA SANTA MONICA.ESE OMO.ISSV.I55VIII. Diâmetro, 60 cm. Olhais do norte: Sino de ornatos clássicos e duas linhas escritas: PMVSQUAM.TE.FORMAREM.IN. UTERO.NOVITE.INTER NATOS.MVLIERVM. NON SVREXIT MAIOR JOANE BAPTISTA FOI FEITO NA ERA DE 15 E SETEMTA. Diâmetro, 1,48 m. Sino da Senhora do Anjo: Tem esculpidos a imagem da padroeira e o brasão do doador, arcebispo D. Fr. Luís da Silva. Duas linhas: AVE MARIA GRACIA PLENA DOMINVS TECVM ANNVS 1701. MATHEVS RVIZ ME FECIT. Diâmetro, 1,52 m. Olhais do ocidente: Sino de inscrição gótica, com cruz gravada: LAVDATE DOMINO ALELVA EN CIMBALES BENESONANTIBVS. Diâmetro, 95 cm. Sino de Santa Bárbara, com a efígie: SANTA BARBARA ORA PONOBIS SE FVNDIV ESTE SINO SENDO O ARCEVIPO O ASELENDISIMO SNR. FR. PATRÍCIO DA SILVA PERDO PAVLVS AMADEO ME FEZE DE INASIONEM ROMANA DE ANNO MILÉSIMO DE MDCCCXXI. Diâmetro, 1 m. Sino de N.ª S.ª da Conceição, cuja escultura reproduz: FAUSTINO ALVES GUERRA ME FÉS NO ANNO DE 1782. Diâmetro, 1 m. Olhais do sul: Sino de N.ª S.ª do Carmo: imagem esculpida. JOZE DOMINGUES DA COSTA O FÉS EM LISBOA. 1783. Está fendido. Diâmetro, 87 cm. Sino de grande cruz gravada: CVONIAM.AD.FLAGELLA.PARATVS.SVM.HABEO.IN.. ORE.MEO.REDARGVTIONES.1805. Diâmetro, 60 cm. BIBL. D. João da Anunciada, Descripção da Igreja Catedral de Évora, 1844; António Francisco Barata, Memória Histórica da Fundação da Sé de Évora e suas antiguidades, 1876; Augusto Filipe Simões, Archivo Pitoresco, vol. XI, 1868; Reinaldo dos Santos, Guia de Portugal, vol. 2.° 1927, A Escultura em Portugal, 1948; Mário Chicó, A Catedral de Évora da Idade Média, 1946, Catedral de Évora - Esculturas - , 1946; A Arquitectura Gótica em Portugal, 1954; Luís Reis Santos, Painéis dos Mestres de Ferreirim de Igrejas e Conventos de Évora, in A Cidade de Évora, 21-22; Túlio Espanca, O Retábulo flamengo da antiga capela-mor da Sé de Évora, in A Cidade de Évora, n.° 2, As Pinturas da Catedral de Évora em 1537, in A Cidade de Évora, n.° 6, Artes e artistas em Évora no séc. XVIII, in A Cidade de Évora, n.° 21-22, Évora-Guia, 1949; Cónego José F. Mendeiros, O Santo Lenho da Sé de Évora, in A Cidade de Évora, n.° 33-34; Martin Sória, Francisco de Campos (?) and mannerist ornamental design in Évora 1555-1580, in Belas Artes, 2.ª série, n.° 10, 1957. ADENDA Uma das particularidades que mais tem merecido a atenção dos críticos de arte pela sua originalidade na Arquitectura Eborense, é o estranho revestimento terroso de cal de obra e das fitas de argamassa branca que recobrem, na totalidade, as naves e o cruzeiro da Catedral. Já Gabriel Pereira assinalara essa curiosidade, que lhe fora apresentada por arqueólogos portugueses e estrangeiros, a que se faz eco nos Estudos Eborenses, concluindo, todavia, que essa pretensa originalidade não era exclusiva de Évora, pois diz que o paramento de grande parte interior do castelo apalaçado, então Musée de S. Germain-en-Laye, no termo de Paris, oferecia as mesmas características. Estamos em crer que o início deste sistema se processou no período das grandes obras de beneficiação da Sé, decretadas pelo bispo-infante D. Afonso, durante as empreitadas dirigidas pelo arq. Miguel de Arruda, entre 1520-40. As cantarias haviam sido mal escolhidas em pedreiras dos arredores da cidade, desiguais na contextura e porosidade, acusando, volvidos pouco mais de 300 anos da fundação, em muitos dos seus membros, tanto nas juntas das colunas como nos silhares dos panos dos tramos, desgaste tão acentuado que ofereciam aspecto de descarnamento desagradável e ruinoso. Admitimos, portanto, que o primeiro trabalho de consolidação geral, interior, do edifício, partiu dessa época, aliás em concordância com referências documentais. O segundo capeamento fez-se na sede vacante de 1669, dirigido pelo arq. João Nunes Tinoco e o terceiro na fase final da obra da nova capela-mor, que foi sagrada no ano de 1747. De resto, de tal forma se vulgarizou na cidade este processo de protecção dos granitos cançados pelos tempos, que os mestres pedreiros o repetiram em vários monumentos religiosos, como nas igrejas de S. Francisco, Lóios e S. Tiago, guarnições que nestas duas últimas se conservam, ocultas actualmente, nos panos das absides primitivas. ADENDA O retábulo do Descimento da Cruz, do altar da Piedade ou do Esporão, sofreu importantes beneficiações na oficina de restauro de pintura do Museu Nacional de Arte Antiga, de Lisboa, sob direcção do artista Edmundo de Oliveira, no ano de 1965, e foi reposto no lugar durante as cerimónias da entrada solene do arcebispo D. David de Sousa, em 23 de Janeiro de 1966. ADENDA Mem Soares, o cavaleiro sepultado no moimento gótico, do cruzeiro, junto dos degraus da porta do claustro, morreu no ano de 1329. ADENDA A demolição do presbitério medieval do bispo D. Durando, principiou em 1718, após exame técnico, no ano anterior, do arquitecto milanês Carlos Baptista Garro, auxiliar de Ludwig na Basílica de Mafra. ADENDA Quando da demolição da primitiva capela-mor, em 1718, perderam-se as arcas tumulares dos bispos nela sepultados nos séculos XIV e XV, metidos em arcosólios góticos, de pedra. Algumas das estátuas jacentes, de prelados desconhecidos, que se guardavam no claustro foram, em 1868, transformadas em degraus, por ordem de um cónego pouco ilustrado, Diogo de Faria. Salvaram-se, milagrosamente, as jacentes de D. Durando Paes, D. Fernando Martins e de outro prelado ducentista por identificar. Na mesma altura e com o mesmo fim se desbastou a volumosa estátua jacente do cavaleiro medieval Vasco Martins, protector do Cabido, a quem o rei D. Fernando I, em 1377, havia doado as herdades da Aldeia de Souto da Casa, Aldeia da Mata, no almoxarifado da Guarda, dos direitos da Aldeia da Cuba e Horta del-Rei, as terras dos Arcontos, Alfondom, Colavos e os Pedrogãos com todos os seus limites e lugares, no almoxarifado de Beja, o reguengo e área do Penedo, no almoxarifado de Serpa e o quinhão do Moinho e da Quinta com casal e suas rendas, no almoxarifado de Santarém. (Cfr. Catálogo dos Manuscritos da Biblioteca Pública de Évora, III, pág. 200, 1871). 

Das campas marmóreas, perdidas, do adro da Sé, que estavam quase totalmente desfeitas em 1940, pelas pisadas dos fiéis e pelo correr das grades de ferro fundido, armorejadas, feitas no ano de 1868 por ordem do arcebispo D. José António da Mata e Silva (naquela altura apeadas), uma era dos antepassados do cónego-deão Joaquim de Sousa de Meneses, que havia tomado posse da dignidade em 6 de Março de 1774. ADENDA Um dos Anjos de mármore que ladeiam o Crucifixo do presbitério, já existia no ano de 1726, e serviu de modelo ao escultor paduano António Bellini para o outro, que custou 260 000 rs. As estátuas do friso, do mesmo autor, também de mármore branco de Estremoz, importaram cada: Fé, 224 000 rs.; Religião, 224 000 rs.; Esperança, 300 000 rs. e Caridade, 320 000 rs. ADENDA O coreto do norte, da capela-mor, conserva o órgão de 1734, que acompanhava o coro da Capela de Polifonia, e o coreto do sul tinha um realejo para serventia na música com instrumental, do qual subsistem vestígios. ADENDA O arcebispo de Évora D. João da Cunha, depois cardeal deste título, era cónego regrante de Santo Agostinho, com o nome claustral de fr. João Cosme de Nossa Senhora da Porta. Foi conhecido, pelos áulicos contemporâneos, de Cardeal das Onze Mil Virgens, em alusão graciosa ao número de livros impressos, muito bem encadernados, que possuía no seu paço de Lisboa - única e exclusivamente obras de estante e de intenção ornamental. ADENDA A imagem quatrocentista da Santíssima Trindade, de pedra de Ançã, actualmente arrumada numa dependência da torre-norte, esteve no altar da capela tumular, gótico-manuelina, dos capitães-mores da cidade - os Castros de treze arruelas, senhores do Paço de S. Miguel da Freiria - do seu patronímico e que obras precipitadas da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais destruíram em 1937. ADENDA Em Janeiro de 1965 deram entrada na oficina de restauro de Pintura do Museu Nacional de Arte Antiga, de Lisboa, para restauro, sob direcção do pintor Abel de Moura, director interino deste Estabelecimento de Cultura, as dez seguintes tábuas quinhentistas do núcleo da Pinacoteca da Catedral: quatro painéis da História do Imperador Heráclio, do antigo sacrário da capela de Santa Cruz; o triplico, hoje díptico, de S. Joaquim e Santana, Conceição da Virgem e Nascimento da Nossa Senhora; S. Miguel, Martírio das Onze Mil Virgens, Santo António pregando aos peixes, e a Aparição da Virgem com o Menino Jesus a Santo António de Lisboa. Estes dois retábulos, já do período maneirista decadente, estiveram adornando o altar do padroeiro, na nave da Epístola, demolido na grande fase de reintegração do edifício em 1942. Recorde-se, para a posteridade, as crismações das nove capelas que a piedade do arcebispo D. José de Melo (1611-33) havia fundado nos panos góticos das singelas naves da Catedral e D. Fr. Luís da Silva, completara com os retábulos de talha dourada, barrocos e revestira, nas coberturas, de composições armorejadas e de arabescos do mesmo estilo por volta de 1700. Mesma face: Santo André Avelino, Presépio, Ceia do Senhor, N.ª S.ª do Carmo, S. Vicente ou N.ª S.ª das Dores e Santo António. Lado do Evangelho: S. João de Deus, S. Bento ou Santo Isidro Lavrador e Santana ou da Sagrada Família. Sensivelmente no mesmo período, cometeu-se o inexplicável apeamento do coreto da Renascença, de c.ª 1580, feito de madeiras de carvalho da Flandres, que ficava sobranceiro ao órgão da nave central, metido no tramo gótico e subindo pelo alçado do trifório, formando curioso conjunto de talhas esculpidas, que a incúria e desapego dos homens responsáveis provocou o desaparecimento nas arrecadações do Seminário. Outras ornamentações artísticas que se perderam, anteriormente, foram as tribunas reais, erguidas sensivelmente defronte do púlpito desde épocas recuadas mas indeterminadas. 

As primeiras, desapareceram durante as obras de levantamento do novo presbitério, no reinado de D. João V. No dia 24 de Abril de 1785, com a presença do prelado D. Fr. Joaquim Xavier Botelho de Lima, foram inauguradas as novas tribunas de talha, do estilo rocócó, feitas por artistas de Lisboa, durante o solene pontifical dedicado às régias personagens D. Maria I e D. Pedro III, seus filhos e nora, D. José, príncipe do Brasil e da Beira, D. João, futuro rei e D. Carlota Joaquina de Bourbon, pelo regresso da Casa Real da fronteira do Caia, durante a Troca das Princesas. As tribunas, alteadas, compreendendo parte da nave central e ângulo norte do cruzeiro, tinham comunicação com o Paço Arquiepiscopal, através de portas e dependências ligadas com a actual Pinacoteca da Sé, que foram tapadas na altura da demolição das tribunas, ordenada e com licença do rei D. Pedro V, em Outubro de 1860. Conhecemos, ainda, de referências escritas, por alienações voluntárias do Cabido, as seguintes peças de arte antiga: restos de joalharia arcaica, de prata e outros metais valiosos, encontrados nos sarcófagos de bispos, do presbitério, em 1718, oferecidos a D. João V, mas que este monarca mandou recolher, como relíquias históricas, ao Tesouro da Sé. Vendidos em 1722 com intenção piedosa, por 119 920 rs. os seus frutos foram distribuídos como esmolas. A caixa que continha estes objectos, foi oferecida, em 1780, aos frades dos Remédios. Oferta, em 1727, aos padres cartuxos da Scala Coeli, das preciosas grades de ferro forjado, da boca da capela-mor primitiva, do tempo do bispo D. Afonso de Portugal (1485-1522), naturalmente idênticas, em factura e estilo, às grades manuelino-mudejares do Baptistério. Venda, no ano de 1853, para fundição, por alvitre do Deão (para se comprar com esse dinheiro vestimentas pretas destinadas aos Capitulares), de várias peças de ferro trabalhado, umas góticas, outras da renascença e um altar de grande merecimento artístico, de ferro forjado, coetâneo das portas férreas do mesmo Baptistério e das escadas da Vestiaria. Esta acção foi muito censurada pelos escritores e eruditos coevos. Augusto Filipe Simões e Cunha Rivara. 

Dádiva, à igreja paroquial de S. Tiago de Escoural, do púlpito, de ferro batido, gótico, que foi substituído pelo actual, da boca do cruzeiro, em 1570, por ordem do arcebispo D. João de Melo e Castro. ADENDA A Cruz de Altar, de prata branca, lavrada no estilo da Renascença, do Tesouro da Sé e da época do Cardeal-Infante D. Henrique, é designada desde tempos imemoriais como Cruz dos Arcebispos, por servir nas entradas solenes dos prelados da Diocese. (1) Dimensões principais da Sé, segundo Mário T. Chicó: Comp. exterior, 80,00 m; comp. interior sem o pórtico, 69,50 m; larg. interior do corpo da igreja, 18,80 m; corpo interior do transepto, 32,00 m; alt. da nave central, 19,05 m; alt. interior da torre lanterna, 27,50 m; alt. exterior da torre lanterna, 41,30 m; alt. das torres da fachada, 40,00 m. (2) As ossadas dos tumultos encontram-se na cripta da capela. O frontal de altar nela existente, é obra de adaptação de 1940, quando da montagem provisória do mausoléu do are. D. Augusto E. Nunes. É revestido de azulejos policromos, seiscentistas, do tipo de alcachofras e quadrilóbolos encruzados, provenientes de qualquer edifício antigo da cidade. (3) D. Helena de Noronha da Costa, mulher de Manuel de Vasconcelos, finada no dia 27 de Outubro de 1619, acrescentou e reformou profundamente o morgadio do Esporão, que passou a ser dos mais opulentos do reino. Deixou testamento feito em Lisboa pelo tabelião Francisco Coelho no dia 20 de Novembro de 1602 e aprovado na sua quinta de Marvila, termo da capital, em 20 de Dezembro do mesmo ano, o qual foi aberto no próprio dia do falecimento pelo juiz do eivei L.° Afonso Mendes de Vasconcelos e lido pelo escrivão Luís Saraiva de Carvalho. Testamenteiros: Manuel de Vasconcelos e D. Helena de Sousa, prima da testadora ( Cód. 131-1-1), peça 35, da Bibl. Púb. de Évora). (4) Esta D. Constança foi casada com Simão dos Lagos. 

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